Tecnologias verdes atraem investidores, apesar dos entraves
Mesmo com a falta de visibilidade e incentivos estruturados e com entraves burocráticos, os investimentos em tecnologias limpas ganham espaço entre os que têm apetite a longo prazo para negócios que reduzem impactos ambientais dos processos produtivos ou lançam produtos inovadores que danificam menos o meio ambiente.
Nas próximas semanas o BNDES deverá lançar oficialmente o Fundo de Inovação em Meio Ambiente no valor mínimo de R$135 milhões para canalizar investimento em empresas com tecnologias ligadas ao meio ambiente, como inovação voltadas para a sustentabilidade.
Por meio de uma chamada púbica, foram selecionadas para gerir o fundo a Inseed Investimentos de Campinas e a gestora de ativos paulistana Performa Investimentos. Com duração de 10 anos, o fundo deverá selecionar empresas inovadoras que ofereçam produtos e serviços alinhados com a preservação ou melhoria do meio ambiente.
A prospecção já começou e está divida em três grandes áreas: empresas de remediação de poluição; negócios com modelos de negócios menos impactantes ao meio ambiente e projetos que evitam poluição ou degradação ambiental.
“Entramos nesta concorrência porque acreditamos que sustentabilidade é o caminho”, disse Burno Moreira Sócio da Inseed.
O lançamento do fundo do BNDES se encaixa em outras iniciativas voltadas para a chamada economia verde do setor privado e público. Durante a Rio+20, a Finep anunciou o programa Brasil Sustentável pelo qual deverá destinar R$2 bilhões em investimentos para negócios ligados com a sustentabilidade. Na exposição que a autarquia promoveu durante o evento, foram apresentados 12 projetos para que possam fazer contatos iniciais com investidores, possivelmente candidatando-se a receber recursos do fundo.
Entre as empresas apresentadas estiveram a Biomater (bioplásticos), Biotechnos (consultoria de projetos com menor impacto ambiental), Embafort (casas de estrutura de madeira), Notox (empresas de pesquisa e produção de lubrificantes de fontes renováveis) e a Novo Ciclo (gestão de resíduos).
No setor privado, a New Ventures, selecionou seis empresas e uma start-up sustentáveis no final de 2011 para receber financiamento de fundos. O programa New Ventures no Brasil existe há 10 anos.
A start-up que foi selecionada foi a Rica Water, empresa que adaptou um sistema de tratamento de água de pequeno porte adaptável para condomínios, empresas e residências. Bioventures Brasil – empresa que pesquisa e desenvolve biocombustíveis a partir do pinhão manso, principalmente para bioquerosene de aviação. A Estação Resgate desenvolveu um projeto de processamento e reciclagem de resíduos da construção civil. A Neutralize Carbono é uma empresa de neutralização de carbono que visa levar ao varejo créditos de carbono. A Sustentatrading desenvolve projetos para coleta seletiva e reciclagem visando adequação para a política nacional de resíduos sólidos. E a Tecverde, do setor de construção civil, desenvolveu um processo que construção com estrutura em madeira – tecnologia alemã adaptada para o brasil – que substitui o concreto.
Enquanto isso, a CPFL Renováveis, que controla 1.735MW em parques eólicos, pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e usinas termelétricas movidas a Biomassa em construção ou operação, se prepara para fazer uma oferta inicial de ações no Brasil e nos Estados Unidos estimado em R$1 bilhão para fazer frente aos seus investimentos que, segundo analistas do mercado, devem chegar a R$4,1 bilhões nos próximos dois anos.
Segundo a empresa, 80% será destinado para conclusão dos projetos atuais e 20% será gasto na compra de outras empresas no setor. Entre os possíveis compradores das ações, que representarão até 15% do valor da empresa, estão fundos estrangeiros fundos de pensão, fundos mútuos e investidores pessoa física. Eles farão companhia para outros fundos nacionais, bancos, fundos de pensões nacionais e dois fundos estrangeiros – um alemão e um americano – que já fazem parte da estrutura acionária.
Finalmente, dentro do panorama implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), as empresas inovadoras começam a mobilizar-se para oferecer aos municípios e empresas tecnologia para a reciclagem, reuso e geração de energia e logística reversa.
Entre estas empresas está a Wise Waste, do grupo GreenBusiness, que oferece não só processos para coletar e triar os resíduos industriais e comerciais pós e ré-consumo, mas que também lançou um sistema de crowdsourcing para buscar entre o público em geral ideias e projetos inovadores para o setor.
O setor se mobiliza para reduzir a bitributação da cadeia de reciclagem, mas, mobilizado pelo governo, está desenvolvendo planos de logística reversa para os setores que devem identificar quais inovações serão necessárias.
A Inventta, por exemplo, deve entregar a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) em setembro o modelo de logística reversa para o setor de eletro-eletrônico que identificará a demanda por novos modelos de negócios inovadores para o setor.
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Referência (ABNT):
Spatuzza A. Tecnologias verdes atraem investidores, apesar dos entraves, 30 jul. 2012. Disponível em: <http://revistasustentabilidade.com.br/tecnologias-verdes-atraem-investidores-apesar-dos-entraves/>. Acesso em: 23 mai. 2013.



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