A Mágica da Vida
Primeiro fizemos um buraco grande no fundo do quintal. E todo dia levávamos estes “restos” e íamos simplesmente jogando neste buraco e cobrindo com um pouco de terra. Ao final de um ou dois meses ele estava cheio e partíamos para um outro buraco. Algumas semanas depois já começavam as surpresas, pequenas coisinhas verdes apareciam. O que será desta vez? Um pé de batata aqui, um pé de melancia ali e por aí seguia. Depois de alguns meses estes legumes e frutas estavam disponíveis para ir à mesa. Sempre comemoramos isto. Esta é uma batata de nossa horta, sem nenhum veneno!
Depois de uns três ou quatro meses plantamos naquele mesmo lugar morangos, salsinha, cebolinha, rúcula e um pé de couve. Em poucas semanas tínhamos aquele temperinho que era colhido a cada dia antes de preparar as refeições e a rúcula fresquinha para a salada. Um pouco mais a frente a couve do quintal começou a fazer parte do cardápio.
Você já acompanhou pés de morango crescendo? Primeiro vem a surpresa das folhas, depois as flores que são lindas e delicadas, depois os pequenos rebentos que pouco a pouco se transformam em frutos verdes que vão aos poucos amadurecendo. Você vai visitar a horta e procura debaixo das folhas para ver se eles já estão vermelhinhos. No dia da colheita é uma festa ver todos aqueles morangos e dividir o mesmo número para cada um da família. Até o pai e a mãe comeram o seu moranguinho do nosso quintal.
É a mágica da vida se renovando e disponível todos os dias para todos nós!
Aprendi isso da amorosidade com que a Beth se relaciona com a natureza. Aos poucos aprendi que esta mesma mágica pode produzir mamão, aspargos, manjericão, alfavaca, poejo, hortelã, pimenta, berinjela, tomate, e tudo isso num pequeno pedacinho de quintal. E continuo aprendendo.
Mas a mágica não parou por aí. Depois de um tempo resolvemos experimentar outros truques da natureza e começamos a colocar os “restos” ou “riquezas” – depende do nosso olhar prático ou amoroso – numa caixa plástica com um pouco de terra e algumas minhocas que conseguimos de um agricultor que já fazia compostagem. Novas aventuras nos aguardavam. Aos poucos elas iam comendo todo aquele alimento. Isso mesmo, alimento! Pois o que aparentemente é resíduo para uma espécie é alimento para outra. E depois da digestão elas começaram a produzir húmus. É aquele mesmo que compramos para colocar nos vasos de flores.
Você já viu um ovo de minhoca? Pois elas colocam muitos, que eclodem e novas minhoquinhas aparecem para se alimentar e produzir húmus. Em alguns dias quando mexíamos no composto embaixo de algum pedaço de alimento encontrávamos muitos ovos e muitas novas pequenas minhocas que nasciam. E assim em poucos meses estávamos colhendo este húmus produzido pelas minhocas e colocando na horta e nos vasos de flores.
Nova mágica. Os “restos” que são riquezas em um ciclo natural da vida se transformaram em lindas flores.
Hoje ofereço a receita dessa mágica da vida com o desejo de que ela possa produzir muitos moranguinhos, muitas rúculas, muitos temperinhos, muitos chás e muitas flores para enfeitar ainda mais a sua passagem pela vida.
Só mais um segredinho: a mágica só acontece quando o mágico aparece!
Eduardo Manoel Araujo – Presidente do Instituto Arayara de Educação para a Sustentabilidade
Resumo da matéria publicada na Revista Atitude Sustentável ano 1 edição 02 e reproduzida aqui por meio de uma parceria de troca de conteúdos. Para ler esta e outras matérias sobre Comportamento e Sustentabilidade, leia a Revista Atitude Sustentável disponível nas bancas.
Ampla usa cultura para melhorar relacionamento e eficiência
“As pessoas querem conceitos para melhorar como cidadãos e, assim, exigirem seus direitos”, disse André Moragas, diretor de relações institucionais.
São onze programas interligados em áreas diversas, como o Consciência Ampla na Tela, de produção de curtas e exibição de filmes, o Consciência EcoAmpla, de reciclagem e o Consciência Ampla Superação, sobre consumo eficiente, entre outros.
Moragas explicou que os projetos atendem a demandas indicadas pela população, que inclui também a exibição de filmes do roteiro comercial como Se eu Fosse Você 2, do diretor Daniel Filho.
Segundo Moragas, nas pesquisas para implementação do projeto, que contou com a consultoria da Ana Couto Branding Design, o item mais pedido foi educação, não apenas no sentido do conhecimento, mas na preparação para a cidadania e o consumo consciente.
Como qualquer empresa que atua na área social, uma dos resultados buscados é a melhora de relação com parte de seu público e a melhora da imagem da empresa.
E isto, de acordo com o executivo, já pode ser medido objetivamente.
“Depois que começamos a plataforma sustentável, tivemos uma aumento de 14 pontos nas avaliações. Passamos de 60% para 74% de análises positivas,” lembrou.
Esta avaliação positiva surge, em parte, porque quando os membros da comunidade questionam a motivação, eles vêem que existe um ganho real para a comunidade, pois têm consciência que a Ampla é uma concessionária de energia que lucra com o gasto e não com a economia que resulta das sugestões feitas pela empresa dentro do programa.
Mas, para Moragas, é uma atitude estratégica.
“Este projeto investe na educação de crianças e jovens, o que consideramos uma ação para o longo prazo porque estamos ajudando a formar a consciência dos cidadãos do futuro, e em adultos, esta uma atuação no curto prazo, em que o objetivo é substituir hábitos que levam ao desperdício pela cultura do consumo eficiente”, disse.
Este é o programa educacional Consciência Ampla Sobre Rodas, que percorre as cidades fluminenses com uma carreta adaptada com sala de aula, e transmite aos alunos das escolas públicas, com faixa etária entre 10 e 18 anos, informações sobre o processo de distribuição de energia e dicas de economia.
A empresa explicou que os participantes passam a compreender melhor como a energia é gerada, o trajeto que percorre até chegar aos lares e identificam pontos de desperdício de luz nas residências.
O Consciência Ampla Sobre Rodas já esteve em 19 localidades e atendeu 17.000 pessoas.
A meta é atingir 20.000 até o final de 2009.
The Age of Stupid: somos estúpidos. E assassinos.
Numa linha histórica e de crítica econômica, a diretora e ativista inglesa Franny Armstrong tenta mostrar como a guerra pelo ouro negro, o desenvolvimento tecnológico e a agressividade do consumo construíram uma derrocada – talvez sem volta – para a humanidade.
Isabella Rossellini mostra "pornô verde" na net
Isso mesmo: em uma produção para novas plataformas digitais, celulares e internet, do Sundance Channel, que pertence ao artista hollywoodiano Robert Redford, a ex- modelo e atriz italiana roteirizou, co-dirigiu e encenou os, digamos, ‘segredos de alcova’ de abelhas, aranhas, moscas, minhocas, libélulas, louvas-a-deus, vaga-lumes e caracóis em vídeos curtos, e mostrou que também lá, no reino dos seres não racionais, as relações podem ser complicadas.
São pequenos filmes, nenhum com mais de três minutos, e que já vão para a terceira temporada. Rossellini teve a ideia da série quando soube que o canal, que é do festival que leva o mesmo nome (Sundance), lançou uma chamada, em 2008, para a produção de histórias curtas com conteúdo ecológico. Foi a estreia da atriz na direção.
Com roteiro bem humorado, produção simples mas interessante e cenas inusitadas, mostram, por exemplo, quão cruel é a relação sexual do louva-a-deus, que tem a cabeça arrancada pela fêmea após a copula. Ou das abelhas, que decepam o pênis dos zangões. O mais acessado foi o Why Vagina (Por que vagina).
A segunda sessão do sexo animal explícito (sem trocadilhos!) foi sobre os bichos dos oceanos, como estrelas-do-mar e baleias. A terceira deve sair em breve.
A série teve baixo orçamento, cerca de US$7 mil (R$12,7 mil) por episódio. Parte do dinheiro foi destinado à pesquisa inicial, que esmiuçou os processos biológicos de reprodução dos bichinhos. Depois, o conhecimento virou um texto didático para o formato escolhido. O resultado é bem divertido e, ao mesmo tempo, instrutivo, apesar de um pouco assustador.
Os vídeos estão disponíveis na página do festival.
Documentário "The Age of Stupid" estreia em 22 de setembro
Segundo o filme que leva este nome nome – e será lançado no Brasil no dia 22 de setembro -, em 2055, o mundo estará devastado pela ação do homem. Neste futuro apolíptico, um sobrevivente solitário revê o passado por meio de documentários da nossa época (feitos a partir do longínquo ano de 2007).
O que ele vislumbra, na sua observação fiel dos acontecimentos em choque com a aridez da realidade que agora o cerca, é a possibilidade que não soubemos aproveitar: salvar o planeta antes do inevitável desastre.
Esta é a ideia central do filme The Age of Stupid, que fará sua estreia mundial em 21 de setembro num evento no Central Park, em Nova York, transmitido simultaneamente para 45 países.
O documentário, que também tem ficção (o personagem-narrador, interpretado pelo ator inglês Pete Postlethwaite, de Em nome do Pai, Parque dos dinossauros e Água negra) e animação, mostra seis histórias reais e independentes de destruição em vários lugares mundo, que o personagem de Pete, um arquivista, só pode ver em gravações dentro de um bunker no já quente Ártico, onde a humanidade decidiu guardar suas memórias.
Lá no futuro, infelizmente, não há mais o que se possa fazer: Londres está submersa, Las Vegas virou deserto e o Taj Mahal é apenas ruína.
Apesar do aparente tom niilista, a ideia é provocar a discussão e ação imediata de quem faz, hoje, a trilha para o futuro. É uma mensagem de esperança: se agirmos logo, imediatamente, há salvação.
O orçamento do filme, que foi rodado em sete países durante três anos, é de 450 mil libras (R$1 milhão), angariados por meio de um inovador sistema de co-investimento, pelo qual mais de 200 pessoas, das mais distintas áreas econômicas e sociais, contribuíram ao comprar quotas do filme.
O evento de lançamento mundial acontecerá num cinema movido por energia solar e instalado dentro de uma tenda em Nova York. As celebridades serão recebidas em um tapete verde feito de garrafas recicladas (irônica comparação com o tapete vermelho dos grandes eventos). Haverá debates com Kofi Annan, ex-secretário geral da ONU, Gillian Anderson, atriz, com a diretora do filme, Franny Armstrong, e outros políticos e cientistas. Thom Yorke, do grupo Radiohead, vai cantar a música tema, que leva o mesmo nome da produção.
Um dia depois, no Brasil, o vídeo estará em cartaz em 12 cinemas de sete capitais, mais Santos e Juiz de Fora. Veja os locais aqui.
A Revista Sustentabilidade acompanhará a pré-estreia, no dia 17, e fará uma resenha no blog da redação.
The Age of Stupid – Inglaterra – 92 minutos
Direção e roteiro: Franny Armstrong
O ator, a Internet, a música e os baleeiros: banda usa tecnologia e arte para protestar
O vídeo é um alerta contra a pesca ilegal na costa da Austrália. O que o torna ainda mais interessante, além do traço e da maneira inusitada de tratar o tema, é que a direção foi do ator Heath Ledger (o curinga no filme Batman, o Cavalheiro das Trevas), que morreu logo depois da realização do clipe, em 2008.
Segundo a revista Rolling Stones, Ledger tinha proposto o roteiro para a banda após uma visita de uma membro da banda à Austrália. Após a morte do ator, o projeto foi finalizado pela empresa na qual era sócio.
Lançado no dia 7 de agosto, toda receita dos dowloads do vídeo pelo iTunes foi doado para a Sea Shepherd Conservation Society, ONG internacional de defesa às baleias. A entidade não disponibilizou informações de quanto arrecadou com a ação.
No vídeo, um capitão baleia, com charuto e cara de mau, conduz uma nau que está buscando carne – humana – e pele – humana – para fazer biscoitos – em forma humana – para as foquinhas de estimação.
No cenário surreal da animação, onde o sol tem nariz arrebitado, os peixes voam e as nuvens tocam trombeta, gente como eu e você é recolhida do mar em redes nada simpáticas, ferida com arpões de caça, morta e escapelada. A carne, jogada no valão do navio.
Ao final do expediente, a tripulação comemora, orgulhosa, mais um dia de trabalho feliz: os porões estão cheios de humanos que serão vendidos no mercado por um bom preço.
Visto assim, do lado contrário, é bem estranho, não?
Cultura & Sustentabilidade – Espaço Fotossíntese
Vivemos uma época de mudanças repentinas, próprias de um período histórico que carrega inovações tecnológicas e suas consequências (que começou com a Revolução Industrial e se reinventa a cada segundo, em cada nova descoberta).
Nosso momento é de olhar para trás – e avaliar erros, e avançar rumo à distribuição dos benefícios destas mudanças, que se trouxeram benesses incomparáveis, computadores, celulares, mapeamento genético, pesquisas em saúde, também contribuíram para a visibilidade da abissal falta de distribuição de renda no mundo, mais em alguns lugares do que em outros, mas presente onde o homem colocou a mão.
No meio disto, resta-nos a reflexão sobre os danos.
O que fizemos com o mundo?
Quais ações devem caminhar juntas para que seja possível habitar o planeta, já tão penalizado?
Qual a mudança de olhar, qual a mudança de atitude, quais valores devem ser revistos e quais práticas retomadas, repensadas, invertidas?
E de que modo estamos expressando, como seres capazes de indagações, esta quebra de paradigmas?
Esta é idéia central desta proposta: um espaço na Revista Sustentabilidade que comente, de forma crítica e ampla, a produção cultural dentro da linha editorial do veículo e seus objetivos.
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Projeto turístico em Ubatuba cresce com investimento verde de estrangeiros
Foi este cenário lírico que encantou o francês Emmanuel Rengade quando, por acaso, começou a se emaranhar nos enredos da mata e nas histórias da comunidade local. Há quase uma década, deixou a condição de executivo numa multinacional para criar uma pousada ecológica lá mesmo, encravada na Serra do Mar.
Manu, como é conhecido, estava só de passagem. Formado em economia, administração de empresas e sociologia em universidades da França e dos Estados Unidos, tinha um confortável emprego numa empresa de energia elétrica. Viajando pelo Brasil, foi visitar Picinguaba.
Ficou tarde para voltar e ele precisou se hospedar por ali. A pousada onde dormiu, uma casa caindo aos pedaços, o encantou. Quinze dias depois, era dele. O emprego de executivo? Já era. E Ubatuba ganhou mais um morador e a semente de um projeto de turismo que se integra ao meio ambiente e à comunidade local: a pousada Picinguaba.
Um interessante começo. Assim, o que era mais um aviso de pauta na caixa postal da redação da Revista Sustentabilidade virou curiosidade por uma experiência que poderia render uma boa história, baseada em informações úteis e fatos, funções de um jornalismo de qualidade.
A apuração da matéria revelou a consciência do trabalho desenvolvido no hotel, que começa na formação da equipe.
São cerca de 25 funcionários, todos arregimentados na vila. Além da capacitação, como francês e inglês para o pessoal de atendimento de frente, Manu se preocupa com a satisfação dos empregados no cumprimento das funções do dia-a-dia:
“Nós [normalmente] crescemos com a idéia de que vida e trabalho são duas coisas separadas”, explicou. “É uma ilusão. O que você faz te determina. Procuramos, portanto, que o trabalho seja interessante, seja feito de aprendizagem. Um hotel onde os funcionários são felizes terá hóspedes felizes.”
No início, Manu contratou os serviços de um biólogo, também francês, que deu assessoria nos processos diários da pousada.
“Ele ficou dois meses conosco, financiado pessoalmente por mim”, disse. “Ele deu cursos para as pessoas da pousada e da ONG (APIS – Ação Picinguaba Sustentável) sobre como fazer uma fossa séptica bem feita, um forno solar, o conceito de banheiro seco e, mais que tudo, compostagem. Hoje, fazemos a compostagem com 70% do nosso lixo.”
Quem gerencia a pousada é Humberto Guimarães, um mineiro de 46 anos que estudou gastronomia na França. Foi ele quem nos contou os detalhes cotidianos do empreendimento, que se sustenta no tripé do econômico, socialmente justo e ecologicamente viável.
“Da compostagem, conseguimos terra rica para os jardins e para a produção das ervas que são utilizadas na pousada”, explicou. “Com o óleo da cozinha, fazemos sabão. Eu mesmo faço, aliás, e é um sabão de alta qualidade.”
Beto, como é conhecido, disse também que acordos com fornecedores e a prefeitura viabilizam a redução não só geração de resíduos, mas também garantem que o que não pode ser reaproveitado seja reciclado ou, pelo menos, tenha um destino que não agrida a natureza.
As garrafas todas são retornáveis, inclusive as de vinhos, que o fornecedor reutiliza, e o lixo reciclável é encaminhado para a prefeitura de Ubatuba.
Beto explica ainda que na limpeza e faxina dos quartos só se utiliza materiais biodegradáveis e que a água da fossa é tratada quimicamente no local mesmo, enquanto não se implanta um sistema de tratamento e filtragem com plantas.
A filosofia transborda no relacionamento com a vila de pescadores.
Tudo o que é possível obter com a produção local é comprado ali mesmo. Todo o peixe, por exemplo, é fornecido pelos pescadores da região.
“Nós temos uma atitude favorável à cultura local, à comunidade, e ao meio ambiente”, disse Manu, descrevendo que há uma busca constante para melhorar o desempenho socioambiental do projeto. “Tudo que nós conseguimos encontrar no Brasil e em outros países que contribua para um mundo melhor, socialmente e ambientalmente, e que seja sustentável economicamente, procuramos implementar. Não é tão fácil como parece, mas já conseguimos 90% de onde queremos ir.”
E Manu continua a sua Odisséia de sucesso, agora com apoio de investidores internacionais.
Como não é possível expandir a pousada de Pinciguaba, que já tem dez quartos para até vinte e quatro pessoas (e que ficam lotados cerca de oito meses por ano), Manu teve que investir em outro lugar: a Fazenda Santa Helena, na região de São Luiz do Paraitinga, subindo as ladeiras íngremes e florestadas da Serra do Mar, perto de Taubaté.
“Aproveitando a nossa experiência em Picinguaba, estamos reformando a Fazenda Santa Helena”, explicou, revelando poucos detalhes dos arranjos financeiros. “Temos um projeto de agricultura de tipo biodinâmica, que vai abastecer os dois restaurantes. Já temos o nosso café, o nosso feijão, a nossa mandioca, o nosso queijo, tudo orgânico! O hotel ficará pronto daqui a 18 meses.”
Manu diz que a simplicidade e conforto serão o foco, reproduzindo o ambiente em Picinguaba. Essencialmente, será uma reforma da sede da antiga fazenda de café, aproveitando o que já existe.
“Queremos mostrar que e possível fazer um projeto que una a sustentabilidade com muito estilo e qualidade”, disse.
Por ser basicamente uma reforma, o valor não será alto e o dinheiro para a empreitada vem, segundo Manu, de investidores-amigos europeus que acreditam no sonho de construir um mundo viável econômica, ecológica e socialmente.
“Eles investirão porque confiam em mim, mas também porque querem participar desta aventura criativa. Muitas pessoas, agora, procuram investir naquilo que faz sentido para elas, não apenas para gerar retorno econômico”, explicou.
Manu não nos informou os valores do investimento, que ainda estão em aprovação, porque, segundo argumentou, não tem autorização dos sócios para divulgá-los.
Quando questionamos Manu sobre a relação entre os custos de um projeto sustentável e o lucro necessário para a manutenção de um negócio, ele responde com consciência de empresário e visão de cidadão: “A prática da sustentabilidade gera economia no negócio. Essa é a grande idéia. Tem que ser melhor e mais barato. Nem sempre é possível, os custos dos produtos de limpeza biodegradáveis, por exemplo, são muito altos. Mas, para nós, a economia tem que ser uma economia de todos, para todos. Não adianta ter uma solução mais barata para nosso negócio e jogar este custo para a coletividade.”
E de onde vem essa motivação toda, indagamos.
“O meu objetivo com estes projetos, além de um estilo de vida pessoal, é comprovar que e possível fazer, no Brasil, empresas que são bem gerenciadas, independentes, que conseguem se sustentar e, ao mesmo tempo, gerar um círculo virtuoso para a economia local, a natureza, a comunidade e a cultura do lugar onde estão. Eu acredito que este é o modelo de desenvolvimento para o futuro do nosso mundo”, concluiu o francês de coração brasileiro e alma do mundo.
Iniciativas Sócio Abientais
Em parceria com o Blog Atitudes SocioAmbientais de Luciana de Sá Nogueira, a Revista Sustentabilidade quer trazer ao leitor experiências de iniciativas que contribuem para o benefício da biodiversidade e da população, através de ações simples e viáveis, que requer criatividade, dedicação, flexibilidade e além de tudo a observação e cuidado com o meio ambiente e com as pessoas.
Abaixo, você pode escolher por tema informações e detalhes da área de seu interesse
Agricultura Floresta
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