O elefante verde na nossa sala
O estudo feito pela Energy SavingTrust – ONG de monitoramento e promoção de eficiência energética – mostrou que entre os principais consumidores de energia em um lar, estes equipamentos vão consumir proporcionalmente mais energia.
Hoje, no Reino Unido, itens de informática são responsáveis por 8% do consumo. Em 2020, está projetado para subir para 9%. Ao mesmo tempo, os outros eletroeletrônicos que consomem 24%, irão consumir 27%.
Já itens como refrigeradores e iluminação devem cair de 17% e 19% para 13% e 15% respectivamente.
Segundo o estudo, o principal fator é a mera quantidade de produtos dependentes de eletricidade que consumimos. Um outro fator, não menos importante, são os hábitos de consumo, muita vezes deixando estes aparelhos inteligentes plugados o tempo todo e usando vários ao mesmo tempo.
Para o Reino Unido, isso pode por em cheque as metas de redução de emissão de Gases Efeito Estufa.
No Brasil, o mesmo movimento está previsto no Plano Decenal de Energia 2020 elaborado pela EPE. A intensidade energética do setor residencial brasileiro aumenta neste período enquanto o industrial cai por causa dos esforços de eficiência energética e ganhos de inovação.
Fiquemos de olho.
Mercado verde traz perspectivas de negócios para as micro e pequenas empresas
Segundo ele, 48% dos consumidores estão dispostos a pagar até 10% a mais por produtos ou serviços que atendam a requisitos ecológicos e sociais. Santos argumentou que dados como esse apontam caminhos a serem seguidos já de imediato pelas 5,7 milhões de micro e pequenas empresas (MPE) de todo o Brasil.
No evento, Santos participou do painel ‘Oportunidades de investimento e negócios em atividades sustentáveis’. Pela primeira vez, instituições de vários países da América Latina se reuniram com o objetivo de debater medidas que signifiquem mais investimentos em programas e políticas voltados às MPE e médias empresas da região amazônica. O evento é uma realização da Associação Latino-Americana de Instituições Financeiras para o Desenvolvimento (Alide), do Banco da Amazônia e do Sebrae no Pará.
Ao apresentar um panorama do mercado verde, Santos enfatizou que 0,8% do mercado brasileiro atua com produtos e serviços comprometidos com o meio ambiente. Mas a previsão é de que esse número apresente crescimento considerável, ficando entre 5% e 7% ao ano até 2020. “Sustentabilidade significa competitividade ao longo do tempo. Quem não seguir essa tendência pode deixar de existir”, alertou.
Reciclagem
Segundo o diretor do Sebrae, o brasileiro ainda não relaciona a importância dos altos níveis de reciclagem registrados pelo país desde 1990 com a questão ambiental. Por isso, chamou a atenção para os resultados de sondagem realizada pelo Sebrae junto a empresários do segmento de pequeno porte, que revelou que a maioria desconhece o conceito de sustentabilidade, embora desenvolva ações que mostram sua aplicação no cotidiano.
Apesar de 58% deles afirmarem não ter conhecimento sobre o tema, na prática, entre 61% e 80% realizam algum tipo de ação sustentável, como controle de consumo de energia, água e papel, coleta seletiva e tratamento de resíduos tóxicos. “A sondagem evidencia a dimensão do desafio de incorporar a agenda da sustentabilidade na gestão cotidiana dos pequenos negócios em nosso país”, assinalou.
Como forma de estimular micro e pequenas empresas na questão, Santos apontou a importância do Centro Sebrae de Sustentabilidade (CSS), lançado em abril deste ano no município de Chapada dos Guimarães (MT). Instalado no Espaço Sebrae de Conhecimento, em Cuiabá, o CSS se dedica primeiramente a dois focos: Política Nacional de Resíduos Sólidos e eficiência energética.
Fonte: Agência Sebrae. Reportagem: Regina Xeyla.
Sociedade ainda não está mobilizada para a Rio+20, diz ativista
A dez meses da reunião, governos e organizações sociais estão na reta
final para a definição de contribuições ao documento base da
conferência.
Em entrevista à Agência Brasil, Belinky apresentou
um panorama da preparação da sociedade civil para a Rio+20, da
articulação com o governo e dos possíveis resultados políticos da
conferência. Belinky também ponderou que, ao mesmo tempo em que o
governo trabalha na construção de uma proposta a ser apresentada à ONU
para um desenvolvimento mais verde, as mudanças no Código Florestal e a
manutenção de investimentos em grandes projetos na Amazônia se mostram
contraditórias a esse processo.
Belinki participa hoje (27) do Seminário Regional sobre Economia
Verde na Amazônia: Amazônia rumo à Rio+20, que integra uma série de
diálogos nacionais preparatórios para a conferência. Confira abaixo a
entrevista que ele concedeu à Agência Brasil.
Agência Brasil: A dez meses da conferência, como o senhor avalia a mobilização da sociedade para a Rio+20?
Aron Belinky: As pessoas estão sabendo pouco,
acreditamos que elas vão começar a acordar mais para o tema a partir do
começo do ano que vem, quando estiver mais clara a programação, que tipo
de evento será a conferência. A partir disso vai começar um crescimento
do debate de massas.
ABr: Como a sociedade civil organizada está se preparando para a Rio+20?
Belinky: A sociedade civil está debatendo em várias
frentes, tem frentes empresariais, de ONGs [organizações não
governamentais] ambientalistas, de movimentos sociais, que estão se
posicionando e procurando construir convergências. Não necessariamente
vai haver uma posição única. Um momento muito rico nessa discussão
nacional e internacionalmente vai ser o Fórum Social Mundial temático no
começo do ano que vem, em que poderemos ter a dimensão do que está
vindo da sociedade civil nacional e internacionalmente.
ABr: Como essas posições estão sendo articuladas com o governo? Como as contribuições da sociedade civil serão levadas adiante?
Belinky: A sociedade civil tem visões variadas sobre o
processo oficial. Tem gente que entende, inclusive, que o processo
oficial é secundário, e que a prioridade é trabalhar na organização
autônoma da sociedade e que nem estão preocupados em direcionar a
proposta oficial do Brasil. Tem outros grupos mais ligados diretamente a
essa proposta, que participaram do processo de consulta formal, que, de
alguma maneira, deverá ser incorporado pelo governo. Como isso vai se
refletir na posição oficial do Brasil para a conferência é uma
incógnita. O que vai aparecer lá será fruto de várias pressões de várias
áreas. Estamos acompanhando de perto para cobrar os resultados.
ABr: O senhor tem percebido disposição do governo em acolher as contribuições da sociedade civil?
Belinky: Há disposição em ouvir, em abrir canais, isso
a gente vê com bastante clareza, talvez de uma maneira menos
estruturada do que gostaríamos, mas certamente existem canais. Em que
medida isso vai ser refletido na posição oficial do governo no fim das
contas ainda é mistério. Vemos que existe simpatia para algumas
propostas que vêm da sociedade civil, mas, ao mesmo tempo, há pressões
de outros lados.
ABr: As mudanças no Código Florestal e a
implantação de grandes projetos na Amazônia podem ser consideradas
contraditórias aos objetivos da Rio+20, que propõem um caminho de
transição para uma economia verde?
Belinky: Há uma enorme contradição. No caso do Código
Florestal, seria abominável ter um retrocesso na legislação ambiental e,
ao mesmo tempo, querer se mostrar uma liderança para a economia verde.
Isso é totalmente impensável, o governo não pode permitir um papelão
desses. Por outro lado, há políticas proativas que o governo pode fazer,
relacionadas a Política Nacional de Resíduos Sólidos, ao Plano Nacional
sobre Mudanças do Clima e outras legislações que podem avançar e
mostrar um lado positivo, de coerência do governo com os objetivos da
economia verde. Em relação a grandes obras, me parece que há teimosia,
uma visão de desenvolvimento que é complicada. O modelo de grandes obras
é uma decisão política do governo, a nosso ver, equivocada. O governo
poderia priorizar outras áreas, investir em repotencialização de usinas,
em redução de linhas, geração descentralizada, energias renováveis que
não sejam grandes hidrelétricas. Mas parece que o governo está
insensível politicamente a isso, o que é uma grande contradição.
ABr: O que esperar da Rio+20 em termos de resultados?
Belinky: A Rio+20 é uma reunião cujo produto é um
documento político, ela está pautada para ser uma reunião política. O
produto final do processo oficial vai ser uma declaração política, uma
declaração com direcionamentos para apontar consensos entre os vários
países para que avancem individualmente na direção da economia verde.
Não tem a pretensão de ser uma coisa mandatória. Ao mesmo tempo, vamos
ter os resultados não oficiais, que são tão importantes quanto, que é
exatamente o debate que a sociedade está fazendo.
ABr: Os resultados da Rio+20 poderão influenciar
outras discussões ambientais no âmbito da ONU, como o debate sobre
mudanças climáticas, que está travado?
Belinky: Esperamos que sim, esperamos que entre os
vários itens que vão estar nesse documento político, estejam incluídas
diretrizes e indicações políticas, que é exatamente o que falta para
muitas convenções, como a do clima. Se der tudo certo e a conferência
conseguir reunir um número considerável de chefes de Estado, pode ser um
documento político que ajude a desatar alguns nós.
Reportagem: Luana Lourenço.
I = PxA/S
Esta é a fórmula que deve guiar a nova economia.
A fórmula tradicional é essa: I = PxAxT, sendo que T é o nível tecnológico.
Quem trabalha com esta equação é o economista Jeffrey Sachs, que encabeça o Earth Institute (livremente traduzido para o Insituto da Terra) da Universidade de Columbia em Nova York.
As premissas, que estão se comprovando verdadeiras, é que:
1. A população mundial (P) está em crescimento acelerado. Já atingimos 6 bilhões de pessoas e devemos superar 8 bilhões antes de 2050. Todas estas pessoas, mesmo na pobreza, consomem cada vez mais recursos naturais. Este crescimento é claro, se dá pela queda na taxa de mortalidade à medida que a Humanidade se beneficia dos avanços tecnológicos, principalemente da medicina e saneamento básico.
2. A renda per capita (A) está crescendo também. É claro que na crise econômica, este crescimento é mais lento, mas a longo prazo vair continuar a crescer. O Brasil, um dos países do Brics, comprova isto: foram 11 milhões que saíram da miséria na última década. Não obstante a desigualdade deste crescimento, o efeito total é (pasmem!) o maior consumo de recursos naturais e energia.
3. T. Tecnologia. Multiplicador da equação do impacto. Por que? Por causa da própria teoria econõmica e a ética: a Terra é um infinito provedor de recursos naturais, matérias primas e absorverdor dos residuos.
Podemos dizer que o impacto ao meio ambiente hoje já entra na equação de outra maneira, pelo menos na teoria. Se o desenvolvimento tecnológico visa a preservação de recursos naturais e leva em conta a minimização de geração de resíduos, vira um divisor e não um multiplicador.
O efeito é a redução do impacto.
Quer dizer que achamos a solução nesta simples equação? Não. Significa que já sabemos qual é o caminho.
Mas o caminho trilha também por: controle do crescimento populacional, distribuição mais equânime de renda e a aplicação mais rápida das tecnologias sustentáveis. Enfim, temos que descobrir como melhorar a qualidade vida dos mais pobres com um modelo de crescimento econômico que não deplete os recursos naturais e minimizem a geração de resíduos e poluentes.
Os primeiros passos estão dados, talvez não pela razão correta.
Segundo pesquisa encomendada pelo International Finance Corporation (IFC) à consultoria internacional de negócios Mercer, o número de fundos de investimentos que usam critérios sócio-ambientais para decidir investimentos nos mercados emergentes tem crescido. A consciência dos gerentes de ativos e dos fundos também.
Hoje são US$300 bilhões em ativos destinados a economias emergentes que usam algum critério de responsabilidade sócioamabiental e, destes, US$50 bilhões são fundos que têm nos seus estatutos critérios de responsbailidade sócioambeintal. Um crescimento, diz o relatório.
Mas se na China, a decisão de olhar estes critérios é incentivada pelo medo de restrições impostas por orgãos mulitlaterias, no Brasil o principal motivador é a governança corporativa, e não o meio ambiente e nem a justiça social em si.
No Brasil destacaram-se as seguintes empresas que têm fundos que adotam estes critérios: o Banco Real, a casa de investimentos Rio Bravo e o Banco HSBC.
É um primeiro passo.
Referências: IFC Gaining Ground, Sachs, Jeffrey; Common wealth: economics for crowded planet; The Penguin Press, 2008.
Movimento pede políticas públicas de mobilidade urbana e redução do uso de combustíveis em São Paulo
Segundo os organizadores, o Moving Planet foi realizado em 18 estados e
também no Distrito Federal. Em São Paulo, a pressão é pela elaboração
de um plano municipal de mobilidade e transportes sustentáveis. Em 2010,
uma proposta do plano foi apresentada à prefeitura, solicitando a
inclusão de R$ 15 milhões no orçamento municipal para a realização de
estudos e debates para a elaboração de um projeto estrutural de
transporte público para cidade.
“Se ele [plano] não for feito até o final do ano, [os R$ 15 milhões]
voltam para o Orçamento para discussão no ano que vem. Estamos
demandando um plano de mobilidade que contemple transporte 24 horas para
as pessoas poderem deixar seus carros em casa, uma boa rede de
transporte público e tarifas mais justas”, disse Juliana Russar,
coordenadora da 350.org no Brasil, uma organização que pretende
construir um movimento global de bases para resolver a crise climática. O
nome 350 se deve ao número que alguns cientistas dizem ser o limite
máximo de segurança para a quantidade de dióxido de carbono na
atmosfera.
Segundo o coordenador de Mobilidade Urbana da Rede Nossa São Paulo,
Marco Nordi, os R$ 15 milhões precisam ser utilizados até o final deste
ano. “Por isso, estamos preocupados. Já estamos em setembro e nada foi
feito. Não queremos entrar em 2012 discutindo isso. Queremos já preparar
esse plano.” Para Nordi, São Paulo precisa diminuir o uso de automóvel,
readequando as linhas de ônibus e interligando-as às linhas de metrô.
A manifestação teve início por volta das 15h no vão livre do Museu de
Arte de São Paulo (Masp). Segurando faixas e caminhando pela avenida,
pedalando ou fazendo bolhas de sabão – com a intenção de “tirar as
pessoas das bolhas em que estão fechadas”, os participantes seguiram até
o espaço de cultura Matilha Cultural, no centro da capital. No meio do
caminho, pararam na Praça do Ciclista, localizada entre a Avenida
Paulista e a Rua da Consolação, onde se reuniram para fazer uma seta
humana e uma fotografia aérea da seta, que é o símbolo do movimento e
indica a “direção a ser tomada”.
“Hoje, no mundo inteiro, estão acontecendo mais de 2 mil ações, em mais
de 175 países, com o Moving Planet, um dia para ir além dos
combustíveis fósseis. A proposta que vai unir todas essas ações é a
seta, que é o símbolo do Moving Planet e que vai estar apontando para
soluções climáticas”, explicou Juliana.
Instituto Jatobás lança campaha para aprofundar debate sobre sustentabildade
Afinal, o que é sustentabilidade para você?
Leia aqui e pense:
Já reparou que cada um tem uma definição do que é sustentabilidade? Sustentabilidade
para mim é diferente de sustentabilidade para você, que é diferente de
sustentabilidade para as empresas, que é diferente de sustentabilidade
para os governos, e assim por diante. Mas será que todo mundo sabe
realmente o que é sustentabilidade?
Evento promove debate sobre tendências do TI verde
O estudo revelou que a pressão para ‘esverdear os negócios” vem dos acionistas. Neste mesmo sentido, uma outra matéria de destaque indicou que investidores em fundos de investimentos e empresas de gestão de ativos querem que os gestores usem critérios de transparência e sustentabilidade pare decidir em que ativos alocar os investimentos.
Segundo o site Greenbiz, um relatório da consultoria Ceres mostra que a preferência por estes critérios entre investidores e acionistas já superou 20% e que a maioria dos gestores não estão prestando atenção.
Isto indica que sustentabilidade é um diferencial. Apesar desta tendência ser bem mais forte na Europa e Estados Unidos, as empresas brasileiras começam a prestar atenção. No dia 25 de outubro, em São Paulo, um grupo de especialistas em TIC (tecnologia da informação e comunicação) discutirão isso no setor deles.
O evento Fórum Green Tech 2011 abordará as tendências neste setor. As soluções serão apresentadas, mas o mais importante é a necessidade de discutir estas tendências, pois já não é uma questão marketing nem de custos, é uma questão de sobrevivência no mundo dos negócios.
Melhorar o transporte público pode reduzir emissões da frota brasileira, diz Ipea
O estudo destaca avanços na redução gradativa do nível de emissão de poluentes da frota nacional, por meio do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve), mas avalia que os ganhos estão sob risco se não forem estabelecidas medidas que estimulem o uso de transporte coletivo e aumentem a eficiência individual dos veículos.
“Os veículos automotores produzidos atualmente poluem menos de 10% do que poluía um veículo similar da década de 1980 quando se trata de poluentes regulados pelo Proconve”, compara o estudo, em referência às emissões de poluentes como monóxido de carbono, óxidos de nitrogênio, hidrocarbonetos e material particulado.
No entanto, a tendência de redução de emissão de poluentes deverá sofrer uma inflexão nos próximos anos porque as tecnologias utilizadas para esse fim já atingiram um nível alto de eficiência e pelo inevitável aumento da frota e dos congestionamentos. “Daqui para a frente os ganhos serão menores”, segundo o Ipea.
O pesquisador do instituto, Carlos Henrique Carvalho, disse que o país precisa investir mais no transporte públic e incentivar o uso de veículos não motorizados como as bicicletas.
“Daqui para frente ou mudamos a tecnologia, incorporando tecnologias como o carro elétrico ou os híbridos, ou aumentamos a eficiência do sistema de mobilidade, investindo em transporte público. Além disso, também deveríamos estimular o uso de veículos não motorizados, principalmente criando estruturas como ciclovias para as bicicletas, e também estruturas para pedestres”, explicou.
Outro desafio, de acordo com o estudo, está ligado à mitigação das emissões de gases de efeito estufa pelos veículos, que crescem numa relação direta com o aumento da frota e não são reguladas por nenhum instrumento como o Proconve.
Em defesa do sistema público de transporte, o relatório aponta a vantagem dos meios coletivos em relação aos automóveis individuais e em relação às emissões de gases de efeito estufa. Mesmo que os ônibus emitam mais gases desse tipo que os automóveis, por utilizarem diesel, a quantidade de emissões é compensada pelo número de passageiros transportados. “Um usuário de automóvel, por exemplo, emite quase oito vezes mais CO2 (dióxido de carbono) que um usuário de ônibus e 36 vezes mais que um usuário de metrô”, compara o estudo.
No comunicado, o Ipea defende a aplicação de um conjunto de iniciativas que combinem ações fiscais de incentivo e restrição, medidas regulatórias e de investimento, com foco na melhoria do sistema público de transporte.
“O transporte coletivo urbano deve ser prioridade nos vários níveis de políticas públicas, de forma concomitante à restrição crescente à circulação de veículos automotores individuais e à ênfase em soluções urbanas que favoreçam a redução da necessidade de transporte motorizado e a prioridade de transporte não motorizado”, sugere.
Reportagem de Luana Lourenço.
Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social ouvirá sociedade para elaborar propostas ao Rio+20
Vinte anos depois da Rio 92, ambientalistas do mundo inteiro vão voltar ao Brasil para um novo encontro da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre meio ambiente. Mais do que um balanço sobre a implementação de compromissos estabelecidos na conferência de 1992 – como a Agenda 21 e a criação das convenções-quadro da ONU sobre Mudança do Clima e Biodiversidade – a Rio+20 tentará avançar em uma proposta de economia verde que concilie crescimento econômico com baixas emissões de carbono.
Ligado à Secretaria de Assuntos Estratégicos, o CDES, mais conhecido como Conselhão, está elaborando uma proposta para subsidiar o posicionamento do governo brasileiro na conferência e, para isso, vai reunir empresários, líderes sindicais, acadêmicos, pesquisadores e organizações não governamentais em um debate que leve a sugestões para uma economia sustentável. Entre os temas, estão energia, mudanças climáticas, inclusão social e combate à fome. A reunião vai ocorrer amanhã (30/8), em São Paulo.
O coordenador de Processos Interacionais do Instituto Vitae Civilis, Aron Berlinki, que vai participar do encontro, diz que o Brasil pode mostrar que é possível conciliar políticas que compatibilizem a inclusão social e o desenvolvimento limpo, com menos emissões de gases de efeito estufa que os países ricos.
“Esse potencial o Brasil tem. Mas ainda há uma série de dificuldades práticas para direcionar a atividade econômica numa direção mais sustentável. É preciso corrigir algumas distorções graves, como alguns pontos da política energética”, avaliou.
Segundo Berlinki, a possibilidade de flexibilização das leis ambientais – com as mudanças no Código Florestal – e a opção do governo em continuar investindo em grandes projetos hidrelétricos, em detrimento de outras opções de energias renováveis, pode comprometer a imagem do país como anfitrião da Rio+20.
Além do Vitae Civilis, a oficina deve reunir representantes do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável, da Confederação Nacional da Indústria, do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, entre outros. O Conselhão é um órgão consultivo da Presidência da República.
Representantes do Basic se reúnem em MG para discutir mudanças climáticas
A reunião, em Inhotim servirá também para definir as articulações que ocorrerão em Durban, África do Sul – de 28 de novembro a 9 de dezembro de 2011 – sobre o mesmo tema, assim como os aspectos referentes à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) – que ocorrerá em maio e junho de 2012, no Rio de Janeiro.
A Rio+20 ocorrerá duas décadas depois de outra conferência que marcou época, a Rio 92. A ideia é definir um modelo internacional para os próximos 20 anos com base na preservação do meio ambiente, mas com o foco na melhoria da qualidade de vida a partir da erradicação da pobreza, por meio de programas sociais, da economia verde e do desenvolvimento sustentável para uma governança mundial.
A estimativa é que cerca de 45 mil pessoas se envolvam nas discussões e organização da cúpula, no Rio. A conferência conta com o apoio e o comando da Organização das Nações Unidas (ONU) tanto é que o secretário-geral do evento é o diplomata chinês Sha Zukang. A presidente da conferência é a Dilma Rousseff.
Nas discussões em Inhotim, em Minas Gerais, participarão a ministra de Relações Internacionais e Cooperação da África do Sul, Maite Nkoana-Mashabane, que será também a presidente da conferência que ocorrerá em Durban e o vice-presidente da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China, Xie Zhenhua, e o vice-ministro para o Meio Ambiente e Florestas da Índia, J.M. Mauskar.
Reportagem de Renata Giraldi.
