Sustenta o que?
Por Rafael Art*
Muito se houve/vê/lê a respeito da palavra sustentabilidade. Palavra grande que se complica ao tentar entender o que raios isso significa e como podemos interagir. Por vezes, difícil de ser compreendida, talvez pelos excessos de uso por parte de algumas empresas, que se aproveitam da ignorância alheia, realizam uma única ação, e se vendem como sustentáveis, mas isso, agora não vem ao caso.
O tema sustentabilidade me fascina e, assim, os seus entendimentos e suas compreensões dos por quês essa palavra esta ficando cada vez mais freqüente no nosso dia-a-dia.
Desastres ambientais, aumento na divulgação pela mídia, pessoas antenadas, globalização. Essas são algumas palavras que me vem a cabeça quando tento entender essa frequência mais e mais crescente. Respire e tente se lembrar quando foi a primeira vez que esse assunto entrou na sua vida. Talvez, se você for da geração Y no começo desse século, talvez se você for de alguma outra geração mais experiente com a Rio 92, talvez se você não faz ideia do que estou falando, agora! (pesquise que o Sr. Google te ajuda)
Pesquisei algumas conceituações e o resultado está logo abaixo.
Segundo a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento ( Comissão Bruntland) realizado em 1987 e chefiado pela primeira-ministra da Noruega, Gro Harlem Brundtland, o conceito de sustentabilidade é: “…o desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras satisfazerem as suas próprias necessidades “.
Desenvolvimento esse, segundo Ignacy Sachs, não pode ser confundido com crescimento económico. Na minha opinião, não precisamos parar de produzir, mas (re)pensar: o que, como e para que estamos produzindo. …”é preciso olhar de forma sistêmica (para o conceito de sustentabilidade) desde a concepção, produção e pós consumo” completa Andréa Franco Pereira. Dessa frase podemos conhecer o Eco Design – que pensa desde da concepção da ideia até o descarte (ou re-uso), como o produto pode ser melhor utilizado em todas suas fases (para saber mais clique aqui).
Ainda, segundo Sachs, o crescimento económico sustentável deve ter 5 dimensões:
Social: sociedade com mais equidade, capaz de reduzir desigualdades sociais e regionais;
Cultural: fluxo de recursos com retornos positivos e uso eficiente;
Econômica: aumentar a capacidade de suporte do planeta;
Ecológica: configuração rural-urbana equilibrada à assentamentos humanos;
Espacial: respeito a diferentes culturas . Não apenas respeito entre cultura e suas práticas, mas interação e aprendizado conjunto;
Político-Institucional: fortalecimento das instituições democráticas e a promoção de cidadania (essa última foi acrescentada pelos autores Armindo dos Santos de Sousa Teodósio, José Carlos Barbieri e pela autora Sylmara Gonçalves-Dias).
Tendo esse hexágono bem equilibrado e equilátero o “ser sustentável” fica fácil, independente se a pessoa é física/jurídica/pública.
Uma outra visão seria a de Herman Daly que escreve: “para a consecução da sustentabilidade, uma economia sem crescimento, com desenvolvimento pautado na distribuição da riqueza já existente”. Não acredito na estagnação da economia, mas em outras formas, talvez a distribuição de riqueza, tecnologia, conhecimento com o intuito de eliminarmos a pobreza, chegando assim há uma equidade. Contudo o que seria dos políticos sem a massa ignorante e facilmente manipulada por medidas paliativas, mas isso também fica para outro post.
Voltando a algumas definições de sustentabilidade, acrescento o que pensa Diort e Nascimento a respeito “…requisita uma alteração no modelo de desenvolvimento dominante,fordismo e taylorismo”. Ouvi uma vez de um grande amigo meu que o modelo escolar atual se encaixa nesse sistema do fordismo…Escolas como uma mera linha de produção induzindo vontades e desejos nas crianças e preparando-as para trabalhar em algum mercado para desenvolver alguma função mecânica, não pensante, ao invés de desenvolver seres humanos pensantes de polegar opositor e tele encéfalo altamente desenvolvido. (sim eu assisti o documentário Ilha das Flores! Muito bom por sinal). Pensando em economia, um outro modelo seria muito bem vindo. Ao invés de pensarmos em tirar vantagem do (s) outro (s) poderíamos unir forçar para poder ajudar mais e mais pessoas. Essas figuras abaixo foram desenvolvidas para a minha dissertação da graduação com a ajuda de outro grande amigo.

Adam Smith

Alan Borger & Rafa Art
Na primeira figura vemos algumas linhas divergindo, derivando de outras e criando novas, na imagem ao lado uma sinergia de ideias, pensamentos e atitudes levando a um bem comum potencializando essas ações.
Afonso tem um ponto interessante a respeito da definição da Comissão Bruntland: “as críticas mais frequentes estão relacionadas ao fato de que a ação no sentido recomendado pela comissão implica numa reforma estrutural mundial muito radical e pouco provável”. Sem dúvida é radical, se é pouco provável apenas o tempo irá nos dizer, mas hoje em dia podemos ver boas ações acontecendo ao redor do globo. A ideia desse blog é mostrar justamente isso colocando algumas definições de estudiosos para tentar mostrar de uma forma mais lúcida esses termos complicados.
Das definições que encontrei, uma coisa é certa; o meio ambiente precisa ser protegido e bem cuidado. O que é interessante, pois empresas extrativistas se dizem como sustentáveis (Petrobrás, Vale e outras por ai…). A sustentabilidade é muito mais do que marketing, deveria ser vista como um valor, uma forma de negócio e por que não, de vida, contudo a ambição, por vezes, não nos permite (com)partilhar e está distante do “s” da sustentabilidade.
*Rafael Art é autor do blog Agora Sustentabilidade
Referência (ABNT):
. Sustenta o que?, 24 jul. 2012. Disponível em: <http://revistasustentabilidade.com.br/sustenta-o-que/>. Acesso em: 24 mai. 2013.



7 / 25 / 2012 18:34
Acredito que devia haver um órgão regulamentador que pudesse verificar se as empresas realmente estão fazendo algo pelo meio ambiente antes que a propaganda pudesse ser veiculada. Exemplo: A Ipê (material de limpeza) promete fazer o plantio de árvores do mesmo nome. Quantas já foram realmente plantadas pela empresa? O percentual que a empresa realmente diz que vai investir na causa, está sendo usado integralmente nisso?
Está correto veicular a propaganda sem nenhuma comprovação? Pode se classificar como propaganda enganosa.
7 / 26 / 2012 19:58
Caro João Guilherme,
Antes de qualquer coisa, grato pelos comentários. Acredito que dessa forma, juntos, conseguimos construir algo positivo. Questionando, perguntando e interagindo vamos, como sociedade, conseguir mudar o que não estamos satisfeitos, pensando no coletivo.
Sobre seu comentário, existe o CONAR – Conselho Nacional de Autoregulação Publicitária. Contudo o antes é algo que ainda não existe. A partir da veiculação da propaganda nas mídias, caso algum Cidadão observe alguma incoerência, pode e deve entrar em contato com o CONAR.
A sua ideia de ter um orgão que analisa antes é fantástica, mas vejo como (infelizmente) inviável no atual modelo que temos. Tudo é muito rápido e são muitas propagandas acontecendo em várias mídias diferentes. Imagina a quantidade de pessoas envolvidas nisso, imagina o tempo que ia levar para conferir cada informação. Gostaria que isso fosse possível (geraria empregos e informação mais credível/confiável se a corrupção não atrapalhar…), mas além disso quão bom seria se a honestidade, ética e respeito presente muitas vezes nas missões visões e valores dessas empresas fossem colocadas em prática…
Voltando ao CONAR, no segundo semestre de 2010 foi lançado uma norma ética para apelos de sustentabilidade na publicidade que você pode ler mais nesse matéria que escrevi – http://agorasustentabilidade.blogspot.com.br/2012/07/conar-reclame-sobre-propaganda.html. Esse artigo mosrta o “caminho das pedras” para questionar algo ao CONAR.
De fato muitas empresas ainda são ingênuas e olham o consumidor como um ser a parte da cidadania. Aproveitam-se desse achismo e fazem o que você comentou. Divulgar sem fazer, ou sem estar comprovado. O CONAR criou essa norma a fim de coibir isso e esta fazendo efeito. Um ponto interessante nessa “disputa pela verdade” é o poder que as redes digitais nos proporciona. Criticar uma empresa publicamente e conseguir gerar um buzz (movimentação na rede) faz com que a empresa re-pense a mídia e pense duas vezes antes de agir, ao menos deveriam.
Enquanto não existe nada que verifica o antes, cabe a nós fazer pressão via mídias digitais e via CONAR para coibir ainda mais esse tipo de publicidade. Um e-mail para o presidente da empresa as vezes ajuda. Se não um e-mail, imagina reunir um grupo de pessoas e enviar vários…também pode ser uma alternativa.
É isso, espero ter ajudado. Fico a disposição.
Abraços,
Rafael Art
8 / 1 / 2012 11:06
O que mais espanta nas discussões sobre sustentabilidade é a pouca ênfase dada à biodiversidade, já que ela é a verdadeira fonte da qual todos nós dependemos econômicamente. É certo que a água, os minerais e o ar são igualmente importantes, mas eles não possuem “gens”. Isso quer dizer que voce pode “limpar” uma água poluída para usá-la outra vez., mas não pode trazer de volta uma espécie extinta, com todos os seus indivíduos, cada um deles com uma parte do segredo do “todo”. Por que será que falamos tanto em “verde” e muito pouco em biodiversidade? Uma parte do etanol consumido na Europa (talvez 30%) vem do Brasil. Mas o preço do etanol não inclui a biodiversidade desconhecida e destruída para dar lugar às plantações de cana-de-açucar. Estamos apregoando uma economia verde que extingue as espécies nativas de uma nação, boa parte delas ainda desconhecida. O que os jovens estudantes terão, num futuro próximo, para pesquisar em biotecnologia? Soja? Boi? Milho? Todos são exóticos e nenhum, deles é nativo. Mesmo que fossem, não me parece sensato destruir o que ainda nem mesmo conhecemos em nome de um “PÌB” que não representa verdadeiramente o potencial mais relevante de um país.
8 / 3 / 2012 18:44
Olá Roberto!
Muito interessante seu ponto de vista. A biodiversidade, na minha opinião ainda não têm o devido ênfase pois é difícil de monetiza-la. E sem ter “lucro agregado” a mídia, empresas e governos não tem interesse em olhar com atenção para esse ponto. A final eles vão “ganhar ($) o que em troca?
Sobre a cor da economia…alguns estudios dizem que a economia verde só funciona em países em crise (ambiental, política, social, afins)…mas será que precisamos ter a água no pescoso para agir e perceber que o nosso modelo civilizatório já era…?
Outro ponto intressante que vejo é chamar a Natureza de Recurso Natural. Acho curioso essa “nomenclatura” que a Natureza recebe. Com essa visão de mero recurso, o entendimento da importância recai sobressaindo o lado economico do lucro e com isso pontos como os seus levantados se perdem, como a Biodiversidade e animais em extinsão.
Infelizmente o discurso empresarial e de boa parte da mídia ainda engatinha sobre um tema tão amplo, interessante e importante para a nossa humanidade como a sustentabilidade é. Digo isso pois não acredito que temos que salvar o planeta, e sim a nossa espécie. Afinal somos mais um animal no meio de tantos usando (e abusando) do mesmo planeta.
Grato pela “conversa” on line e fique a vontade para trazer mais do seu ponto de vista!
Abraços
Rafael Art
8 / 3 / 2012 19:59
Caros Roberto e Rafael,
A biodiversidade tem um capitulo a parte no novo código da ciência e tecnologia que tramita no congresso (e será substituído por por um outro texto do MCT em breve). Este capítulo foi origem de um embate e dissenso ente o setor produtivo e academia. O primeiro quer controle, o segundo quer acesso livre para pesquisar.
Abordarei este tema na próxima news.
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