Sacolinhas: mentiras dentro das verdades e… soluções
Está rolando na Internet um artigo publicado na Folha de S.Paulo com os seguintes dados sobre as sacolinhas que são no mínimo questionáveis. Gostaria de colocar-los em contexto para podermos entender o que está em jogo:
- Os supermercados vão embolsar R$500 mil que gastavam com sacolinhas
- Os gastos mensais com sacos plásticos de lixo chegarão a R$75,00
- A perda de empregos diretos e indiretos será de 100 mil vagas
Agora, contextualizando estes dados e outros rolando por aí:
- O gasto anual dos supermercados com sacolinhas é sim de R$500 mil anuais, mas é diluído no faturamento do setor de mais de R$200 bilhões e representa 0,25% do faturamento em um ano. Ou seja, irrisório em termos de ganhos para os supermercados. Não obstante isso, deveriam investir isso em outros benefícios para os consumidores como doando sacolas retornáveis nos primeiros meses do acordo. Seria mais eficiente.
- Os gastos mensais com sacos de lixo só chegariam a R$75 mensais se uma família produzisse mais de 4000 litros de resíduos por mês! Um pacote de 60 sacos de lixo de 15 litros custa mais ou menos R$17. Ou seja, para se gastar R$75 é preciso comprar e utilizar mais do que quatro pacotes. Pelos dados da Abrelpe, cada brasileiro produz cerca de 1 quilo de lixo por dia. A conta não fecha.
- Segundo dados da Abiplast – associação dos transformadores de plástico – cerca de 350 mil pessoas são empregadas no setor, que gira um faturamento anual de cerca de R$44 bilhões. Se as sacolas representam um pouco mais de 1% do faturamento do setor de transformação, como que se emprega 100 mil pessoas direta ou indiretamente só para produzir, vender e distribuir sacolinhas? De novo, a conta não fecha.
- Os sacos representam 0,2% em volume dos lixões e aterros. Verdade, mas o problema não é este: o problema está na quantidade de sacolas que não é coletada e distribuída indiscriminadamente por aí e o dano que elas causam ao meio ambiente, mesmo nos aterros e lixões, ao não se degradar e soltar outros químicos e aditivos que se infiltram no solo.
- O lixo vai ser jogado na rua e gerará mais doenças. Verdade se realmente acontecer, mas duvido muito, pois o lixo já é disposto incorretamente na maioria das grandes cidades e principalmente nos bairros menos abastados. O governo paulista deveria buscar termos de ajuste das empresas de limpeza pública para garantir que isso não aconteça e incluir os residuos dentro do conceito de saúde pública, pois de cada real gasto com coleta de resíduos dequada, reduz-se quatro reais no orçamento da saúde pública.
- Gasta-se 2,5 litros para lavar sacolas retornáveis. Não faz sentido. Este uso de água pode ser diluído na limpeza doméstica geral: basta colocar a sacola para lavar na máquina com outros tecidos ou passar um pano com álcool após cada uso, se realmente for um perigo à saúde.
De fato, concordo que o acordo entre os supermercados e o governo de São Paulo foi mal pensando e mal estruturado. Ficou uma percepção, entre os consumidores, de que estão sendo lesados, e estão. Se os envolvidos tivessem parado para ouvir meia dúzia de especialistas em sustentabilidade e o público, talvez tivessem melhor elaborado a campanha.
Eliminar as sacolas em si não servirá tanto à causa ambiental diretamente, isto todo mundo concorda. Mas é uma medida educativa para pensar melhor sobre o uso do plástico na nossa sociedade e, principalmente, repensar o hiperconsumismo. A elminação de sacolas plásticas gratuítas deveria ser aliada a políticas públicas de compostagem, de campanhas para a redução do consumo supérfluo, da promoção do comércio local e a políticas que regulam o uso do plástico para fins mais nobre e duradouros.
Precisamos pensar melhor no jeito que consumimos o plástico nas embalagens, com um imediatismo absurdo. O plástico tem seu papel na sociedade e é extremamente útil, mas se ele demora 300 anos para se decompor deveríamos no mínimo usar este material para fins duráveis, ou seja, produtos que necessitem durar décadas, se não séculos.
Aqui vão algumas sugestões para os próximos passos do programa ‘Desafogue o Planeta’:
- Transferir estes R$500 milhões anuais para custear pesquisa e projetos de compostagem distrbuídas e hortas comunitárias nas grandes cidades para abastecer os supermercados e para pesquisar outras embalagens com usos duradouros do plástico, visando a total reciclabilidade com perda zero nas cadeias de logística e de logística reversa, incluindo aí um sobrepreço para o material descartado para estimular a reciclagem
- Fazer um phase-out da venda de outros produtos de plásticos descartáveis e sem cadeia de reciclagem como copos, pratos, mexedores de líquidos e talheres de plástico e outros usos não adequados do plástico.
- Fazer uma ampla campanha contra o consumo supérfluo e de conscientização sobre embalagens.
No fundo, o setor plástico está jogando dinheiro fora para tentar evitar o inexorável que é o fim do uso do plástico como conhecemos. A nova geração já será bem mais consciente e se tiver a informação adequada buscará soluções mais inteligentes sem cair na ladainha de que sacolas plásticas são geradoras de emprego, menos danosas ao meio ambiente que sacolas retornáveis e outros argumentos veiculados fora de contexto. Afinal, a busca pela sustentabilidade é complexa, transversal e parte do pressuposto de que os conceitos econômicos usados até agora estão errados e necessitam ser mudados.
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Referência (ABNT):
Spatuzza A. Sacolinhas: mentiras dentro das verdades e… soluções, 31 jan. 2012. Disponível em: <http://revistasustentabilidade.com.br/o-jogo-das-sacolinhas-mentiras-dentro-das-verdades-e-solucoes/>. Acesso em: 26 mai. 2013.



4 / 12 / 2012 0:45
Pessoal use a cabeça……Mais de 50% de todo o lixo enterrado é organico……a sacolinha representa menos de 1%……e a gente aqui no meio desse empurra empurra entre os supermercados e as prefeituras….fico abismado…gente universitaria, professores,doutores…será possivel que sao todos destituidos de inteligencia?????
Nao estao vendo que as prefeituras estao orientando voces a misturarem o lixo organico com rejeitos??? A discusao das sacolinhas soh servem pros supermercados pararem de financiar sua sacolinha de lixo…..99% do lixo é embalado em sacolas de supermercado….Mesmo em curitiba, a capital ecologica, a prefeitura orienta a separação em apenas dois tipos de lixos domesticos, RECICLAVEL E ORGANICO. Aí ligo na prefeitura e pergunto: E O REJEITO, ESQUECERAM?? VA I ONDE???
Resposta da prefeitura: No ORGANICO!!!!!
Por isso o lixo do Brasil inteiro é uma confusão, uma verdadeira M….
PORQUE È IMPOSSIVEL SEPARAR O LIXO DOMESTICO CORRETAMENTE, SE, FOR EM APENAS 2 TIPOS OU DUAS LIXEIRAS APENAS….
SE estivessem realmente pensando numa solução pro lixo, poderiam entao distribuir as sacolinhas de mercado em apenas tres cores estrategicas internacionais e assim resolveriam um metodo eficaz e um sitema inteligente, para usar a força do inimigo para vencer esta luta, que até agora está cada vez mais perdida….
MARROM ORGANICO
CINZA REJEITO
VERDE RECICLAVEIS LIMPOS
O verde que é vidro, empresta a sua cor, simbolo de florestas,verdes, para receber todos os reciclaveis limpos….
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