O Brasil precisa de um fast-track para as inovações
“O Brasil precisa de um fast-track para as inovações”, concluiu Binder. “Se a burocracia é mais ágil, a empresa pode ser mais radical no risco e no grau de inovação”.
Criado em 2006, o fundo já tem alinhado R$25 milhões para investimentos e 17 empresas inovadoras, oriundas das mentes dos pesquisadores universitários e dos centros de pesquisas país afora. Do total, um terço já foi desembolsado e o resto deve ser aplicado nos próximos dois ou três anos.
Como um fundo típico de capital semente, o Criatec entra com participação acionária dentro de empresas recentemente fundadas em torno de um produto inovador com alto potencial de mercado. A participação do fundo garante a transferência de know-how administrativo e dos mercados de capitais para permitir a realização deste potencial.
Uma vez desenvolvido o projeto e, quando seus produtos atingem um certa maturidade no mercado, o fundo faz um desinvestimento – vende as participações no mercado privado ou abrindo capital na bolsa– gerando um ganho para o fundo, geralmente de dois dígitos, em relação ao capital investido.
“O risco é altíssimo e, portanto, o ganho também”, disse Binder sem revelar a expectativa de ganho dos investimentos em cada empresa investida. “Nosso cálculo é feito pela média, pois durante o acompanhamento sabemos onde vamos ter perdas e o momento de nos desfazermos de certas posições”.
Este tipo de investimento, apesar de ter estimulado a onda de abertura de capital na bolsa até o débâcle do setor financeiro internacional em 2008, ainda é uma indústria nascente no Brasil. No exterior, fundos de capital semente, venture e equity são bem mais numerosos e agressivos, contando com uma série de produtos financeiros bem mais complexos.
Segundo a Associação Brasileira de Private Equity Venture Capital – ABVCAP, no Brasil, existem entre 10 a 20 fundos de private equity e venture capital operando e mais uns 10 fundos em fase de captação. Dados levantados pela Price Waterhouse and Coopers mostram que existem cerca US$27 bilhões em recursos de fundos nacionais ou estrangeiros alocados no Brasil, dos quais cerca de 60% é dinheiro estrangeiro, sendo que deste montante, 60% já foi investido em cerca de 480 empresas.
Segundo um dos autores do estudo, faltam cerca de US$11 bilhões ainda a serem investidos, enquanto a expectativa de novas captações direcionadas para o Brasil é de mais de US$5 bilhões anuais.
Apesar destes números parecerem grandes em relação ao PIB do pais, eles ainda são baixos, pois representam cerca de 1,7% do PIB de mais de US$1,5 trilhões. A média deste tipo de investimentos, nos países desenvolvidos, gira em torno de 4% do PIB, segundo o estudo.
O espaço para crescer é ilustrado por projeções de entidades nacionais e internacionais de que o setor de fundos deve ter um crescimento de mais 20% em 2009, por causa da recuperação rápida do ambiente macroeconômico e de inovação no Brasil.
No entanto, Binder explicou que, diferentemente fundos privados, o fundo Criatec, por administrar dinheiro do BNDES, oriundo em parte de impostos federais, está totalmente alinhado com a política industrial do país, que inclui incentivos e subvenções para novas pesquisas em áreas chaves como biotecnologia, agroindústria, tecnologia da informação focada na produção de software, nanotecnologia, novos materiais e energia.
“Estas são áreas que foram identificadas como tendo um bom potencial competitivo nos mercados interno e externo”, explicou.
Uma das empresas que receberam investimentos do Criatec foi a Rizoflora, oriunda de pesquisas da Universidade Federal de Viçosa, ela desenvolveu um agrotóxico de fungos que substitui os produtos de origem petroquímica. Entre os empreendimentos que estão recebendo investimentos, ou estão em fase de análise, existe um mapeador de solos, com tecnologia GPS, que permite dosagens exatas de corretivos agrícolas e agrotóxicos, e um projeto de motor, movido a hidrogênio.
“Não olhamos só para tecnologias que têm potencial de ganhar os mercados nacional e internacional, mas também percebemos que são inovações sustentáveis, que ajudam a reduzir os impactos ambientais”, lembrou. “Se o mapeamento do solo permitir a dosagem exata de agrotóxicos, o quanto de excesso e contaminação não serão evitados?”
As 17 empresas que foram escolhidas passaram pelos critérios rigorosos da equipe de analistas do fundo, que tem de combinar às necessidades econômicas do país com a viabilidade técnica e econômica dos projetos, mas também, compará-las com outras empresas nascentes que se candidatam todos os meses.
Segundo Binder, em 18 meses, o fundo recebeu 800 solicitação de investimentos e continua recebendo cerca de 40 pedidos de análise por mês.
“O volume de oportunidades é maior do que nossa capacidade de atender”, disse.
Tal demanda, explicou o executivo, vem de um esforço de cerca de quatro décadas de políticas em Ciência e Tecnologia de vários governos e, que agora, começam a dar frutos. No início, o país investiu muito na formação acadêmica dos pesquisadores, o que gerou uma impressionante capacidade de produção científica e até de exportação de cientistas para os melhores centros de pesquisas mundiais.
Hoje, este esforço colocou o país na 13ª posição, em termos de produção de artigos científicos publicados em anais e revistas científicas nacionais e internacionais.
Esta posição privilegiada, segundo especialistas, no entanto, só agora começa se transformar em ganho econômico para o país, pois, foi só na última década, que teve início a redução do hiato entre a produção de conhecimento e a inovação, confirmada pelo baixo número de registros de patentes, critério em que o Brasil é o 48° colocado mundialmente.
“Do final dos anos 90 para cá começou-se a pensar neste assunto. Foi a partir da implementação de politicas sobre Ciência e Tecnologia que surgiram fundos setoriais e programas de subvenção para pesquisadores e incubadoras”, disse. “A subvenção tem um papel importantíssimo, tanto que grande parte das empresas investidas receberam alguma forma de subvenção do governo no início das pesquisas.
Para Binder, a atual política de Ciência e Tecnologia do governo federal, que inclui a MP do Bem e PAC da ciência visa investir R$41 bilhões em ciência e inovação nos próximos 10 anos, e as subsequentes políticas estaduais de inovação, estão no caminho certo ao tentar aproximar os pesquisadores e centros de pesquisas das empresas.
Agora, enfatizou o investidor, começamos a enfrentar as dores parto do desenvolvimento, que é desfazer-se do ambiente hostil à inovação gerado pela burocracia brasileira.
“Precisamos rever todos os nossos processos e entre eles, o processo de que mais precisamos é o chamado fast-rejeição”, explicou. “O empreendedor tem que saber rapidamente se produto dele vai ser rejeitado pelos orgãos reguladores para decidir se deve investir para adequar o projeto ou abandoná-lo de vez, reduzindo desta forma, o risco da inovação”.
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Referência (ABNT):
R. O Brasil precisa de um fast-track para as inovações, 3 ago. 2009. Disponível em: <http://revistasustentabilidade.com.br/o-brasil-precisa-de-um-fast-track-para-as-inovacoes/>. Acesso em: 20 mai. 2013.



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