Incubadas já faturam R$4 bi e setor pede aprimoração do sistema de parques tecnológicos e incubadoras
No Brasil existem mais de 2500 empresas de base tecnológica que foram incubadas, que faturam cerca de R$4 bilhões anuais e empregam cerca de 30 mil pessoas. Este é o resultado da uma pesquisa encomendada pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (BDI) e ressaltada pelo Secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação, Álvaro Prata em entrevista à Revista Sustentabilidade.
O levantamento foi feito para avaliar o desempenho das incubadoras e parques tecnológicos e delinear as políticas públicas de desenvolvimento industrial para melhorar o grau de tecnologia na produção nacional. Segundo o levantamento, existem hoje 384 incubadoras e 26 parques tecnológicos em operação.
O estudo foi encomendado para a Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimento Inovadores (Anprotec) que vem discutindo com o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação a criação de uma política nacional para parques tecnológicos. Segundo a Anprotec, corre uma discussão entre o governo e entidade novas medidas para fortalecer as redes incubadoras e parques tecnológicos e sua maior integração com os setores prioritários do programa Brasil Maior.
Segundo o estudo sobre incubadoras e parques da Anprotec, feito em 2011 e atualizado este ano, há a necessidade de se fazer um levantamento mais detalhado de todo o sistema e criar uma nova classificação dos parques de acordo com a sua aproximação com o setor produtivo e as universidades , tamanho das empresas e o nível tecnológico e inovador. O estudo sugere também, a inserção dos parques e incubadoras dentro das políticas e características do desenvolvimento local e regional. Além disso, é preciso melhorar os sistema de financiamento que são calcados nos sistemas da Finep e do BNDES, além de buscar fontes alternativas de receitas por meio de prestação de serviço para a sociedade. É também necessário, segundo o estudo, deixar claro as competências federal, estaduais, municipais e do setor privado na implementação dos parques tecnológicos.
O assunto foi debatido na reunião do Conselho Nacional dos Secretários Estaduais para Assuntos de Ciência, Tecnologia e Inovação (Consecti) e da Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) durante o 64º Congresso da SBPC no Maranhão. E deve ser aprofundado durante o XXII Seminário Nacional de Parques Tecnológicos e Incubadoras de Empresas.
Para Prata, o interesse do setor privado já começa a trazer recursos, apesar das críticas e apreensão das entidades ligadas à CT&I pelos cortes no orçamento em 2011 e 2012.
“O problema do financiamento é menor porque tem vários investidores dispostos a colocar dinheiro na boas ideais”, lembrou durante a entrevista à Revista Sustentabilidade. “O problema são as boas ideias”.
Prata salienta que só agora as universidades começam a perceber os benefícios de firmar parcerias com o setor produtivo.
Segundo o estudo da Anprotec, os parques tecnológicos e o sistema de incubadoras nacionais serve para aprimorar esta aproximação, pois permite o surgimento de empreendedorismo e inovação entre pesquisadores, professores e alunos das universidades e é um dos caminhos que, segundo Prata, deve fazer do Brasil ‘uma potência inovadora’.
“Aqueles parques que têm mais sucesso estão próximos dos que promovem ciência, pois precisa do conhecimento e formação de pessoas qualificadas”, disse Prata.
Além dos 26 parques em operação, existem mais 19 parques em implantação e 34 projetos. Segundo o levantamento da Anprotec, existem 1500 parques tecnológicos no mundo, e eles têm tido resultados importantes na geração de inovação. Nas experiências bem sucedidas em países desenvolvidos, as empresas instaladas em parques tecnológicos geram em média U$2,50 de receita anual para cada U$1 investido na implantação do Parque. Nos emergentes, estra relação é e US$1,5 para cada UIS$1 investido.
UMA REDE MADURA
No Brasil, os investimentos públicos para a implantação de parques tecnológicos é de R$130 milhões por ano em média. Todos os parques no Brasil têm incubadoras e os principais setores presentes são: Energia, Biotecnologia, Eletrônica e Instrumentação,Serviços, Meio Ambiente e Agronegócios.
Nas 384 incubadoras no Brasil, existem 2600 empresas incubadas que geram empregos para 16 mil pessoas e R$533 milhões em faturamento anual. A maioria das incubadoras está ligada a universidades, e, em segundo lugar, a ligação é com os parques tecnológicos. Do total das empresas incubadas, 67% são de base tecnológica, 15% só focadas em desenvolvimento social e ecológico e 13% tem foco em produtos e serviços tradicionais. No final, 55% das inovações nas incubadoras tem alcance nacional, 28% alcance local, e 15% alcance mundial. Apenas 2% não inovam, segundo o levantamento da Anprotec.
Um dos últimos parques a serem inaugurados foi o BH.Tec em Minas Gerais em maio de 2012, que teve investimentos de R$65 milhões do governo do estado e da prefeitura de Belo horizonte e conta com parceira da Fapemig e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ao todo, 16 empresas já estão abrigadas no parque nos setores de fármacos, biotecnologia, meio ambiente e TI, entre outras.
Para Prata, se de um lado as empresas podem desfrutar do conhecimento da universidade para inovar, do outro, os acadêmicos são incentivados a se tornarem empresários.
“Estes empresários novos criam espaços para o desenvolvimento regional e promovem associativismo e cooperativismo”, lembrou.
Apesar de salientar a importância dos parques, Prata não deixou claro se haverá medidas novas para fortalecer o sistema que, segundo a Anprotec, necessita ser revisado e melhorado.
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Referência (ABNT):
Spatuzza A. Incubadas já faturam R$4 bi e setor pede aprimoração do sistema de parques tecnológicos e incubadoras, 19 ago. 2012. Disponível em: <http://revistasustentabilidade.com.br/incubadas-ja-faturam-r4-bi-e-setor-pede-aprimoracao-do-sistema-de-parques-tecnologicos-e-incobadoras/>. Acesso em: 26 mai. 2013.



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