Helena Nader da SBPC: só políticas de Estado na educação e ciência garantem avanço do País
Durante o 64º congresso na capital maranhense, as mais de 100 sociedades científicas que compõem a SBPC fecharam questão em torno de dois desafios: garantir dinheiro das royalties de petróleo para pesquisa e inovação e garantir a aprovação e a implementação de alocar 10% do PIB em educação.
“Como enfrentar o desafio de ter o 6º PIB mundial e estar colocado na 70ª posição em torno da educação”, disse a bióloga Helena Nader, presidente da entidade, em entrevista à Revista Sustentabilidade. “O que defendemos é que para ter cidadãos plenos e ter poder sobe eles mesmos, é preciso saber ler, entender o que lê e fazer operações matemáticas”.
Mais de 20 mil pessoas participaram no mês passado do congresso da SBPC que teve como tema Ciência, Cultura e Saberes Tradicionais para Enfrentar a Pobreza. Destas, umas 6 mil participaram dos debates, simpósios, workshops e palestras que tomaram São Luis. Para Nader, presidente da entidade, foi um demonstração de força da ciência brasileira.
Mas, apesar do ponto alto da frequência, compatível coma posição brasileira de contribuir com 2,7% do conhecimento científico mundial, o clima também foi de protesto e espanto com a recente posição do governo brasileiro de cortar repetitivamente o orçamento da ciência no País e o baixo desempenho da educação.
Em uma análise dos recentes avanços econômicos e sociais, Helena concluiu que o Brasil conseguiu colocar quase todas as crianças na escola primária e reduzir a pobreza por meio de programas como o Bolsa Família, mas agora é preciso dar um passo além. Para ela está na hora de garantir estes avanços em lei, melhorar a qualidade e garantir que as crianças e jovens continuem na educação
“Todas as crianças entram na escola, mas o que ninguém fala é que aos 12 anos esta criança evade”, disse. “Ou reverte isso ou o Brasil vai ficar a reboque”.
Helena faz uma ligação direta entre o nível educacional e o nível de desenvolvimento tecnológico brasileiro.
“Educação é ciência e é programa de estado”, concluiu.
Para ela, o caminho da educação é paralelo ao reconhecimento oficial da produção brasileiro onde a ciência nacional deve ser estimulada para fechar o círculo, principalmente nas áreas onde o país tem liderança em áreas como agricultura – pela Embrapa -, medicina tropical. Mas o caminho é longo já que falta constância no fomento científico e resistências culturais.
“O papel da Universidade não é só formar recursos humanos, é gerar conhecimento”, lembrou. “Temos que nos orgulhar na nossa produção científica que é regularmente citada em publicações científicas indexadas mundo afora, mas enquanto nos Estados Unidos estes pesquisadores vão para as empresas, no Brasil 80% ficam na academia.
Ela disse que investir neste setor requer política de Estado por isso que durante o congresso as sociedades científicas, a Academia Brasileira de Ciência e outras entidades ligadas à ciência, tecnologia e inovação apoiaram as medidas legislativas garantir 10% do PIB para educação e as propostas alocar 50% da royalties do petróleo em educação, ciência e tecnologia.
Presente no congresso do SBPC, estava o Ministro de Ciência Tecnologia e Inovação (MCTI), Marco Antônio Raupp, ele teve que ouvir as críticas do setor sobre os recentes cortes no orçamento.
“Enquanto não investimos, o mundo continua fazendo. Fiquei surpresa com o corte no orçamento do MCTI no primeiro ano, que foi trágica, mas cortes por um segundo ano…”, lamentou. “Espero que isso passe. Confio no ministro”.
Referência (ABNT):
Spatuzza A. Helena Nader da SBPC: só políticas de Estado na educação e ciência garantem avanço do País, 15 ago. 2012. Disponível em: <http://revistasustentabilidade.com.br/helena-nader-da-sbpc-so-politicas-de-estado-na-educacao-e-ciencia-garantem-avanco-do-pais/>. Acesso em: 20 jun. 2013.



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