Governo espera fim do ‘Mensalão’ e das eleições para aprovar código de CT&I
O governo federal decidiu esperar o fim dos embates político partidários nos congresso – leia-se eleições municipais e o julgamento do ‘Mensalão’ – para enviar a nova proposta do código de ciência e tecnologia elaborado pelos Consecti, Confap e entidades empresariais, informou à Revista Sustentabilidade o secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Ministério de Ciência Tecnologia e Inovação (MCTI) Álvaro Prata.
“Procuramos não contaminar a preocupação dos parlamentares”, concluiu o secretário.
Segundo ele, o projeto (veja exclusivamente aqui) está em discussão dentro do governo antes de ser enviado para substituir o código (PL 2177/2011 na Câmara dos Deputados e 611/2011 no Senado) que já está no Congresso e aguarda nomeação de membros e relator de uma comissão mista para continuar a tramitação.
A nova proposta do código foi apresentada ao Ministro do MCTI Marco Antônio Raupp durante o 64º Congresso da SBPC em São Luis (MA).
“O setor produtivo nos deu conta que o código que tramita no congresso era bastante acadêmico”, disse Odenildo Sena, presidente do Consecti. “Abrimos para contribuições da CNI, da Anpei e da Anprotec. “Ele foi bem recebido pelo ministro, mas ainda não tem a participação do governo e sabemos que será discutido no Congresso”.
A nova proposta caminha no sentido de compartilhar equipamentos e infraestrutura de pesquisa entre o setor privado e o setor produtivo. O texto cria regra para remuneração destes equipamentos, divisão de patentes ou propriedades intelectuais e financiamento para a pesquisa.
“Este é um avanço que precisamos, pois às vezes tem equipamentos modernos nas universidades que são subutilizados e é preciso compartilhar isso com o setor produtivo”, explicou Sena.
Um ponto que deverá gerar conflitos entre a academia e o setor produtivo e que, segundo Sena, só pode ser resolvido no Congresso, é o acesso à biodiversidade para fins de desenvolvimento tecnológico. Na proposta enviada ao MCTI, o acesso é livre, mas o setor produtivo quer alguma forma de proteção para fins a elaboração de novos produtos. No fundo, é o conflito entre a visão acadêmica e científica de permitir a pesquisa aberta aos pares contra a visão das empresas que querem proteger investimentos de risco.
PESQUISADORES NAS EMPRESAS
Concluindo, Sena acredita que o código ajuda os pesquisadores a ir para o ‘chão de fábrica’ para que Brasil possa avançar na tecnologia e inovação. Sena reafirmou a percepção dos gestores de CT&I que o país necessita fechar o hiato entre geração de conhecimento e inovação propriamente dita. Segundo levantamentos internacionais, o Brasil ocupa a 13ª posição em publicação de artigos científicos, contribuindo com cerca de 2% da produção mundial. Mas, em termos de patentes, segundo a última pesquisa do Global Innovation Index, em 2012 o Brasil ficou em 58º lugar, uma queda de 11 posição comparado com 47ª posição em 2011.
Apesar de ter melhorado na posição regional de terceiro para segundo lugar e ainda superar a 68º posição de 2010, o resultado do levantamento de 2012 mostrou que o país não acompanhou os líderes da inovação como Estados Unidos, China, Suíça. Em comparação ao Chile, o primeiro colocado no ranking, o Brasil se sai melhor em cerca de 10 dos 78 quesitos que são medidos para elaborar o ranking.
Apesar de te exportações tecnologicamente mais avançadas que o Chile, melhor acesso à internet e serviços de comunicação, ter um sistema de aplicação de patentes melhor e ser parecido em termos de gastos das empresas em P&D e nível de impostos sobre mão de obra, o Chile supera o Brasil por ter uma burocracia menor, um governo mais atuante em termos de políticas públicas e na proteção dos investimentos. Dois quesitos reveladores são o nível de formação de engenheiros e exatas e número de alunos matriculados nas universidades, nos quais o Chile tem uma pontuação quase que o dobro do Brasil.
Do outro lado, o indicador tecnológico compilado pela Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica (Protec) mostrou uma deterioração no déficit tecnológico no primeiro trimestre de 2012, atingindo US$25,8 bilhões, principalmente pelo aumento do déficit dos grupos de alta intensidade (aumento do déficit em 13,3% em relação a 2011); o de média-alta tecnologia (8,2%) e os serviços tecnológicos que representam pagamentos de royalties e licenciamento de tecnologia (17,7%).
Para Prata do MCTI, há uma ansiedade para avançar mais no desenvolvimento tecnológico, no entanto, segundo sua avaliação, é um processo demorado que precisa superar barrerias culturais.
“As universidades começam a perceber a necessidade de fazer parcerias”, disse.
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Referência (ABNT):
Spatuzza A. Governo espera fim do ‘Mensalão’ e das eleições para aprovar código de CT&I, 14 ago. 2012. Disponível em: <http://revistasustentabilidade.com.br/governo-espera-fim-do-mensalao-e-das-eleicoes-para-aprovar-codigo-de-cti/>. Acesso em: 26 mai. 2013.



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