EDITORIAL: O tigre de papel eólico
Estive presente hoje em uma conferência sobre o setor eólico brasileiro em São Paulo, observando as palestras, conversando com as pessoas e olhando os dados cheguei à conclusão que o Brasil caminha seguramente para o pódio eólico mundial. No entanto, o país arrisca ser um tigre de papel se não fizer, como gostam de dizer os neoliberais, a lição de casa.
Neste caso, a lição de casa é investir pesado em inovação tecnológica nacional para não só suprir o mercado nacional, mas para exportar também , pois, nesta marcha ao pódio, estão os outros países das Américas, a China e a Índia, as regiões de maior acréscimo de capacidade eólica no mundo.
De uma certa maneira, já tinha escrito isso no boletim especial sobre energia.
O Brasil, segundo todos os levantamentos já deve estar em 2013 entre os 10 maiores mercados em potência instalada (dados compilados pela Cleantech Investor Magazine que junto com a Carta Capital organizou o evento: Brazil Wind Energy Conference).
Em 2011, ignorando países como Honduras e República Dominicana que começaram do zero, o Brasil aumentou sua capacidade instalada eólica em 63%, atrás do México, com crescimento de 68% e Argentina, com 160%. Em termos de capacidade instalada adicionada (valores absolutos) o Brasil ficou em 11º posição. Em primeiro lugar, a China!
Mas o dado mais importante divulgado pela Anne McIvor, editora chefe da publicação britânica, foi a avaliação da atração para o investidor. Neste ranking, o Brasil está em décimo lugar, em ótima companhia com países como (por ordem inversa no ranking) França, Alemanha, Itália, Suécia, Canadá, Reino Unido, EUA, Índia e China em primeiro lugar.
O que diferencia o Brasil deste seleto grupo é a propriedade da tecnologia eólica.
Enquanto todos estes países tem empresas eólicas fortes, o Brasil está importando a tecnologia. Sobra para fabricar no Brasil apenas as pás de 60 metros de cumprimento e as torres de mais de 100 metros altura.
O Brasil precisa desenvolver tecnologia própria e forçar a transferência tecnológica dos novos entrantes no mercado se não não geraremos a riqueza para entrar de fato na corrida tecnológica das energias renováveis. Quem alerta isso não sou só eu, mas os principais executivos e estudiosos do setor. E isto requer investimento e políticas públicas focadas. Com cortes no orçamento de ciência e tecnologia, fica difícil
Referência (ABNT):
Spatuzza A. EDITORIAL: O tigre de papel eólico, 3 abr. 2012. Disponível em: <http://revistasustentabilidade.com.br/editorial-o-tigre-de-papel-eolico/>. Acesso em: 24 mai. 2013.



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