EDITORIAL – A crise e a economia verde
A Rio+20 aconteceu durante uma das piores e mais profundas crises financeiras mundiais. No rastro da conferência mundial, ficou claro que um dos caminhos para sair da crise é a construção de uma economia verde e sustentável. O que não ficou claro é como isto será feito.
De um lado, as empresas parecem estar imbuídas da missão de limpar seus processos produtivos, do outro, os movimentos sociais e ONGs criticam a economia verde, e querem um fórmula mais inclusiva, a economia sustentável. Os governos e orgãos multilaterais, no entanto, se mostraram engessados pelos meandros da diplomacia, por problemas políticos e, voltando à abertura deste comentário, pela crise financeira que ameaça de vida o Euro, se não a União Europeia.
Todas estas peças precisam se encaixar para podermos avançar. E o caminho é tomar as medidas essenciais para mudar o sistema atual de produção, consumo e organização social.
Para nós, que acompanhamos os debates sobre sustentabilidade, já estão bem claros os ganhos da transição para uma economia sustentável. Mas, ao propor temática da cobertura desta semana, a pergunta foi: a crise abre espaço e oportunidades para o Brasil na economia verde?
A resposta simples é sim. No entanto, nada é tão simples assim. A tese inicial é que juros em queda sempre vão a favor de investimentos produtivos, principalmente no Brasil onde o Estado historicamente endividado ocupa todo o espaço financeiro vendendo títulos da dívida à juros altíssimos para poder pagar suas obrigações diárias.
Hoje, tanto no Brasil, quanto lá fora, os juros vem caindo para patamares historicamente baixos. A pergunta seguinte é: este dinheiro antes aplicado em papeis governamentais vão fomentar inovação e novos sistemas produtivos?
Não necessariamente. Esta é a resposta mais otimista.
Como disse um entrevistado: enquanto a investimento em tecnologias verdes e sustentáveis forem considerados como marginais, isto não via acontecer. Além desta percepção, existem outras questões mais profundas, debatidas na matéria principal (aqui).
Um outro importante debate é a diferenciação da economia verde da economia sustentável. Ser apenas verde sem compromissos mais profundos resolve? Como podemos ser verdes e sustentáveis se os 3 milhões de empregos verdes que existem são na maioria empregos de baixa qualificação e precários. Isto foi discutido aqui.
Finalmente, é possível mostrar que há sim um início de interesse em investir em novas tecnologias menos impactantes ao meio ambiente, começando com o novo fundo de Inovação em Meio Ambiente a ser lançado pelo BNDES.
Enfim, arriscando clichês e chavões, a crise financeira é uma oportunidade, mas ela precisa iniciar pela consciência e clareza de que caminho tomar, principalmente pelos governos.
Boa leitura.
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Referência (ABNT):
Spatuzza A. EDITORIAL – A crise e a economia verde, 30 jul. 2012. Disponível em: <http://revistasustentabilidade.com.br/editorial-a-crise-e-a-economia-verde/>. Acesso em: 23 mai. 2013.



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