DAS REDES – Quando o rio parou de rir
Um dia ele foi tortuoso!
Um dia, de fato, ele, molhou e refrescou as pessoas!
Um dia ele teve peixe!
Um dia ele teve ar puro!
Um dia ele foi rio!
Um rio com peixes, vida, amor e curvas.
E que belas curvas!
E tinha o homem, que comeu, refrescou, riu e viveu.
Ai veio a ganância e sua ânsia…
Que descurvou alinhou e o matou,
Fez-se sem brilho, com poluição concreto e prédios,
Sem vida, sem peixes e sem amor
Apenas a ganância e sem frescor.
(Poema por – Rafael Art)
“Essa foto de 1930 é impressionante.
À direita, o morro do Jaguaré. Vê-se o rio em sua conformação original e a marcação para a retificação.
A retificação foi a escolha para que se levasse água do Pinheiros até a Billings, para lançá-la Serra do Mar abaixo e produzir a energia elétrica demandada pela industrialização que se acelerava. Com isso, também se liberou para urbanização terras que deixaram de ser inundadas.”
Texto da Associação Águas Claras do Rio Pinheiros
COMENTÁRIO: Quando olhamos o passado, vemos o presente de uma outra maneira. Quem vive em São Paulo, é proibido olhar o passado, acredito eu, para não se exasperar por causa do futuro. Isso desembocou em um belo poema que surgiu nas redes sociais e que eu trouxe para cá para gerar debate.
Em outubro 2010, a Revista Trip publicou uma matéria com projetos do arquiteto Alexandre Delijaicov para reconquistar os rios paulistanos. O que surgiu também foi poético (veja imagem ao lado), mas da poesia pode sair o concreto.
Dá para fazer? Claro que dá. Seoul fez, várias cidades americanas fizeram. As metrópoles europeias reconquistaram suas margens ribeirinhas (veja aqui comentário de 2010).
Mas ao remover as marginais de quase todos os rios paulistanos, para onde irão os carros? E sabe o que? Cada vez que se remove uma via, reduz-se o número carros pois os cidadãos buscam alternativas. É para se pensar. PS: O título do poema é meu, mas o autor sugeriu que você, leitor(a), sugerisse um título.
Alexandre Spatuzza – Editor
Matérias relacionadas:
Referência (ABNT):
Spatuzza A. DAS REDES – Quando o rio parou de rir, 15 ago. 2012. Disponível em: <http://revistasustentabilidade.com.br/das-redes-quando-o-rio-parou-de-rir/>. Acesso em: 21 mai. 2013.



8 / 15 / 2012 15:04
Que honra de ter um poema meu publicado aqui, valeu Alê!
Comentários no Facebook