CleantechBrasil – Os dois lados do novo plástico
A revista Pesquisa Fapesp deste mês trouxe duas matérias seguidas sobre o futuro das embalagens de materiais renováveis que está sendo pesquisado no Brasil, intuitivamente levantando o debate sobre as duas escolhas que a sociedade necessita fazer sobre as fontes e os produtos finais que embalam alimentos e toda uma outra gama de produtos e podem reduzir os danos ao meio ambiente.
A primeira matéria trata dos polímeros biodegradáveis. Compostos – e no caso da do tema da matéria, que também são comestíveis – feitos de origem orgânica. Com características parecidas ao plástico ‘comum’, pesquisadores custeados pela Fapesp estão desenvolvendo produtos para preservar frutas e alimentos nas prateleiras. De origem de plantas como mandioca, banana, quiona, biri e outras, estes produtos são biopolímeros com base nas cadeias encontradas naturalmente.
O segundo artigo, trata dos bioplásticos propriamente ditos, ou seja, plásticos tradicionais (PP e PE) cuja fonte é orgânica e não o petróleo. Neste caso, a fonte é etanol, nosso ubíquo álcool de cana-de-açúcar, mas o produto final leva o mesmo tempo para se decompor no solo, ou seja, centenas de anos. Mas são mais sustentáveis que os plásticos tradicionais.
Vale a pena ler os artigos (aqui), mas quero chamar atenção aos dois modelos de consumo que, indiretamente, estão sendo oferecidos pelos nossos pesquisadores e, que no fundo, tem a ver com ciclo de vida de produto e com os nossos hábitos.
O primeiro, sendo desenvolvido nos laboratórios Unicamp, contam com um apoio total de cerca R$110 mil, principalmente pela Fapesp. A lógica da pesquisa é buscar biofilmes que possam preservar as frutas da exposição aos interpéries do ambiente de uma loja ou lanchonete.
A melhora da qualidade envolve nanopartículas e aditivos, também naturais, para plastificar os compostos.
Sendo de origem orgânica e comestíveis, não geram resíduos diretamente, pois podem ser ingeridos. É um mercado, segundo a matéria, que interessa a lanchonetes de fast food que vêm incluindo cada vez mais frutas nos seus cardápios. E a pesquisa já chamou atenção de uma grande distribuidora de frutas na Europa, segundo a reportagem da Pesquisa Fapesp.
O programa do bioplástico feito de etanol é o da Braskem. Este projeto vem de longa data (veja aqui e aqui). Inaugurada em 2010, a fábrica da gigante brasileira tem capacidade para produzir por ano 200 mil toneladas do seu plástico verde. Foram investidos R$500 milhões na fábrica de polietileno de etanol.
Além disso, a Braskem mobilizou recursos da ordem R$50 milhões para pesquisar o bioplásticos, tanto na busca fontes quando na usabilidade final que envolvem pesquisadores de seu centro de pesquisa, da Unicamp, da UFScar, FGV, UEPG e até da Universidade de Concepción no Chile entrando em biotecnologia aplicada e nanotecnologia. O mercado para este produto também já chamou atenção das indústrias de bens de consumo e alimentícios, no Brasil e no exterior, como a Danone (citada na matéria).
CIÊNCIA BRASILEIRA
Os mercados do bioplástico e plástico biodegradáveis são bilionários e crescentes. Nas duas searas, o Brasil está bem posicionado, não só por que tem matérias-primas, mas porque tem o knowhow científico.
Mas é importante perceber as duas opções que são oferecidas pelas tecnologias. A primeira, dos biodegradáveis e biocompostáveis, oferecem uma visão circular da produção onde resíduo é mais integrado ao meio ambiente e não gera resíduos de uma forma tradicional, já que ele se decompõe rapidamente. As vantagens estão na matéria-prima e no produto final.
Além da aplicação para biofilmes, esta indústria já é nascente no Brasil com algumas fábricas, mas necessita ganhar escala e ainda necessitam de pesquisa aplicada para melhorar a usabilidade.
Do outro lado, o dos bioplásticos, o ciclo tradicional de consumo, descarte e geração de resíduos é inalterado. O bioplástico é tão reciclável quanto os plásticos feito de petróleo,e recilabilidade faz parte da pesquisa. As vantagens estão, principalmente, na matéria-prima de origem renovável.
A briga é por um mercado crescente que, segundo a Associação Europeia de Bioplásticos (European Bioplastics), atingiu 724 mil toneladas de produção, dos quais cerca de 500 mil foram de plásticos biodegradáveis e cerca de 200 mil toneladas de bioplásticos.
Segundo projeções da mesma associação, em 2015, os bioplásticos deverão atingir uma produção de 1,7 milhão de toneladas por ano. Mas os bioplásticos ultrapassarão os biodegradáveis. Segundo previsão da entidade, do total, 996 mil toneladas serão bioplásticos e 714 serão biodegradáveis.
Em comparação a produção mundial de plásticos tradicionais é de mais de 200 milhões de toneladas por ano.
É uma corrida e tanto. Apesar de estar na frente no mercado mundial de bioplásticos, segundo a European Bioplastic, até 2016, a Braskem enfrentará concorrentes de peso já que a americana Dow e a japonesa Mitsui pretendem investir juntas em um fábrica de bioplástico no Brasil com capacidade para produzir 350 mil toneladas ao ano de PE de fonte renovável.
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Referência (ABNT):
Spatuzza A. CleantechBrasil – Os dois lados do novo plástico, 20 jul. 2012. Disponível em: <http://revistasustentabilidade.com.br/cleantechbrasil-os-dois-lados-do-novo-plastico/>. Acesso em: 18 mai. 2013.



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