Cleantech hoje
Eólicas em alto mar avançam na costa leste dos Estados Unidos – ENN
Estado da Virgínia inagugurá primeiro projeto teste de eólica em alto mar – Energyboom
Israel Electric Corp. Construiŕa projeto solar de US$1,3 bilhão na China – Cleantechies
Painéis solares da GE com taxa de eficência de 14% pode ultrapassar os da First Solar – Bloomberg
Congressista americano pede proteção importação de paineis solares da China – Reuters
Exclusivo: setor de energia solar está apreensivo com notícias sobre redução de subsídios – BusinessGreen
Cleantech hoje
Kauai, a ilha jardim do
Havaí, se tornará a ilha do medidor inteligente – Greentechmedia
ONU pede PPPs verdes –
BusinessGreen
Califórnia cria nova
forma de empresa que remunera responsabilidade socioambiental –
VentureBeat
Parlamento australiano
aprova taxa de carbono – Reuters
Ações da Western Wind
disparam 58% com notícia de proposta de aquisição pela Algonquin –
Bloomberg
Grupo parlamentar
brasileiro quer aprovar lei que aumenta mistura de biodiesel para 20%
- Bloomberg
GM investirá em
projetos compensatórios para cortar emissões de CO2 em 4,6 milhões
de toneladas – Geenbiz
Virgin Atlantic anuncia meta de
usar combustível de aviação verde – The Guardian
Cleantech hoje
O imposto aéreo
europeu – ENN
Hoje na TI Verde: Os
números do terceiro trimestre – Gigaom
Como as empresas ganham
vantagem estratégicas a gerenciar CO2 – Greenbiz
Deputado solicita
informações sobre garantias de empréstimos de US$4,75 bilhões,
além da Solyndra -
Análise: instaladores
de painéis solares crescem à medida que custos caem – Reuters
Grafeno demostra ter
respostas termo-elétrica à luz – Chloregy
Setor produtivo estão
peredendo a paciência com a falta de consistência nas politicas
públicas ‘verdes’ – BusinessGreen
Walmart começa a
reduzir o tamanho de suas lojas nos EUA – Celsias
Estado de Vermont visa
ter 90% de sua energia de fontes renováveis até 2050 – Emerging
Energy
O caso Solyndra e os subsídios governamentais às energias renováveis
Pouco acompanhado no
Brasil, o caso Solyndra virou símbolo do suposto fracasso das nos
novas tecnologias de energia renováveis. Em 2008, sua invenção
prometia revolucionar o setor tanto pela sua novidade – ser
cilíndrico – quanto pelo seu material que usa diselento de cobre,
índio e gálio e tecnologias de microfilmes ao invés do então caro
polisilício. Em 2009, a empresa captou junto a fundos de capital de
risco cerca de US$1 bilhão, inclusive com garantias de cerca de
US$535 milhões do governo federal por meio de um programa de geração
e empregos na economia verde.
Hoje, empresa está em
processo de falência e investigação pelo congresso, pela
corregedoria do departamento de energia (DOE – que concedeu as
garantias) pela polícia federal (FBI), que fez uma busca e apreensão
na sede da empresa esta semana. No dia 31 de agosto, a empresa
anunciou o fechamento da fábrica de US$700 milhões que acabara de
construir e a demissão 1.100 funcionários.
Enquanto isso, os
jornais americanos esquentam o caso quase que diariamente com
matérias focadas no escândalo, transmitindo a sensação de que foi
tudo uma grande fraude nacional. Ao mesmo tempo, o lobby contra as
energias renováveis e a oposição ideológica de Obama aproveitam o
escândalo para condenar os investimentos em qualquer tecnologia de
geração de energia limpa, o programa de fomento às tecnologias
limpas do governo e os subsídios governamentais em geral.
PREÇO DO SILÍCIO
DISPARA
O que aconteceu para
uma empresa considerada tão promissora ir à falência? O que isso
significa para os mecanismos das energias renováveis e tecnologias
limpas? E, principalmente, o que aprendemos sobre o papel dos
governos no fomento a estas tecnologias?
De uma lado, o governo
americano estava ávido para mostrar serviço em meio a uma profunda
crise econômica e ao mesmo tempo reduzir a dependência americana ao
petróleo, objetivo do governo Obama desde sua inauguração. O
empréstimo a Solyndra foi o primeiro, por isso o mais simbólico, de
um programa que prometia gerar tecnologia e empregos na inexorável
economia verde vindoura.
A lógica do negócio
era perfeita: o preço do silício estava altíssimo a época por
causa da grande demanda por painéis gerada pelo desenvolvimento do
mercado solar na Europa, Estados Unidos e China. Portanto, fazia todo
sentido buscar uma solução tecnológica alternativa que não
dependesse do silício.
Solyndra a ofereceu e,
prevendo pedidos de US$2 bilhões, montou planos para uma fábrica
moderníssima. Mas até a inauguração da fábrica, o cenário mudou
completamente. A alta do preço do silício e, portanto, dos painéis,
atraiu novos empreendedores que investiram pesadamente e começaram
produzir silício purificado para painéis não mais como subproduto,
mas sim como foco da indústria.
Resultado: o preço do
silício e dos painéis despencaram. Fala-se de reduções nos custos
dos painéis instalados em cerca de 25% a 50% neste período, com
ganhos absurdos de eficiência na conversão da energia solar. O
preço do polisilício que atingiu cerca de US$400 por quilo em 2008,
descambou para cerca de US$50 em 2010 quando as novas fábricas
começaram a produzir.
O DRAGÃO ACORDA
O outro fator foi a
aposta da China nas energias renováveis. País autoritário, a China
quando decide fazer algo, não há quem impeça. Seu plano em 2009
era atingir 1,8GW de capacidade instalada de energia solar
fotovoltaica em 2020. Mas, desde então, o governo Chinês revisou a
meta para 10GW até 2015. Não só isso: percebendo o crescimento da
demanda internacional, decidiu ser fornecedor mundial. Hoje, a China
é responsável 50% do mercado global de apinéis solares
tradicionais. E assim o goevrno fomentou a indústria, o que ajudou o
preços caíram ainda mais.
Para piorar as coisas,
a crise financeira internacional reduziu os investimentos em energia
solar, fechando os poucos espaços para novos tecnologias no setor.
Enquanto isso a
Solyndra, com apoio oficial, corria para concluir a fábrica a toque
caixa. Inaugurada em novembro 2010, a nova fábrica durou 10 meses.
Esta história, longe
de condenar à morte as energias renováveis, mostra a consolidação
de um setor que na última década vem ganhando eficiência na
tecnologia, espaço nas políticas públicas e retorno para
investidores. Hoje, a eletricidade gerada por painéis solares custa
em torno de US$100 por MWh, e continuará baixando à medida que a
indústria ganha escala. Falta poucos anos, segundo especialistas,
para que o setor ganhe paridade com outras energias, ou seja, tenha
preços competitivos no varejo.
O papel do governo
neste movimento, é claro, está em aberto. Nos Estados Unidos e na
Europa, o governo implementa políticas públicas que equalizam o
preço desta energia com outras. É dinheiro do governo que compensa
o preço destas energias para que elas ganhem escala frente às
outras, sistema conhecido como Feed-In Tarriff. Na Alemanha, líder
isolado em energia solar, com cerca de 15% to suprimento total, o
foco inicial foi no setor eólico, e depois, solar.
PROGRAMA DE CRÉDITO ÀS RENOVÁVEIS
Nos Estados Unidos,
existe também o programa (veja tabela ao lado) de garantia de empréstimos do Departamento
de Energia (equivalente ao nosso ministério) que direcionou mais de
US$16 bilhões para projetos comerciais de energias renováveis,
eficiência energética e redes inteligentes desde 2009. Solyndra
fracassou, e representou 3% do valor total do programa. Este ano,
foram anunciados US$1 bilhão em garantias para mais 150 projetos
entre eles biocombustíveis, solar e carros elétricos.
Risco é inerente ao
sistema capitalista e o erro no caso da Solyndra foi não ter medido
estes riscos adequadamente, principalmente por causa de fatores
políticos, pois está cada vez mais claro que o governo Obama
apressou a liberação da garantia para a Solyndra para dar início
ao programa.
Não foram avaliadas
com cuidado as tendências do setor. A China, que vinha em movimento
crescente, tem programas parecidos, só que de porte bem maior.
Segundo informações da Reuters, apenas em 2011, foram aprovadas
mais de US$29 bilhões em garantias para o setor solar. O governo
Obama imaginava que poderia, com uma tecnologia nascente, e portanto
cara, garantir criação de empregos na economia mais aberta do
mundo. Os pedidos foram caindo proporcionalemente à redução do
preço dos painéis tradicionais de silício, e o tiro saiu pela
culatra: 1.100 empregos foram perdidos em meio a uma profunda crise
econômica. O efeito simbólico disto é claro.
MAIS DE US$400 BI ANUAIS
EM SUBSÍDIOS PARA ENERGIA SUJA
Mas, do outro lado, é
um absurdo pedir para não subsidiar energias renováveis quando
existem imensos subsídios para o petróleo e seus derivados. Esta
semana a Agência Internacional de Energia pediu a eliminação dos
subsídios aos combustíveis fósseis, um montante que chega hoje a
mais de US$400 bilhões ao ano e deve atingir mais de US$600 bilhões
em 2020.
Assim não dá. Tentar
sair da era do petróleo sem políticas públicas para reduzir o
risco, sem levar em conta a globalização e sem tirar o mel que
adocica a indústria mais poluidora do mundo, é errado.
Na minha opinião, os
subsídios são e sempre serão necessários. Mecanismos de mercados
mais eficientes precisam ser buscados e sempre, sempre, será preciso
investir em desenvolvimento tecnológico.
O Brasil,
surpreendentemente, conseguiu algo notável no setor eólico. As
condições macroeconômicas nacionais e internacionais abriram
espaço para um sistema misto entre descontos de tarifas de fio para
baratear o o transporte da energia, financiamento prioritário do
BNDES e um ambiente competitivo. A indústria eólica começa a se
consolidar no Brasil. Agora é a vez a da solar. A Aneel fez uma
recente chamada para projetos de pesquisa em energia solar. A
Eletrosul – do grupo Eletrobras – abriu uma chamada para pequisas
em purificação de silício para a produção de painéis e já
firmou acordo de pesquisa e projetos pilotos em energia solar,
enquanto isso, fundos de investimentos de capital de risco no Brasil
começam a contemplar a tecnologia para as próximas rodadas de
investimentos.
Temos um ambiente
diferente do americano, mas também temos nossos Calcanhares de
Aquiles, entre eles o gap tecnológico. Apesar de já termos
pesquisas na área, ainda não temos escala suficiente para projetos
solares comerciais com tecnologia nacional e estamos longe de um
sistema adequado para admitir microgeração para a qual tecnologia
solar fotovoltaica é mais adequada.
A indústria de
renováveis, nova, está longe de estar falida, mas os riscos
aparacerão. O fracasso da Solyndra – que tomou, repito, 3% do
total de garantias dadas pelo governo americano – não pode ser
usado para condenar o setor solar que se encontra em franca
consolidação no mundo. O Brasil precisa participar desta corrida
tecnológica por ter um dos mais altos potenciais solares do mundo,
mas precisa aprender consigo mesmo, com os outros e medir exatamente
como deve entrar nesta corrida.
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