Apesar de Durban, a Bloomberg lança novos índices de renováveis e entra de vez na economia verde
Na verdade, foram lançados três índices: um
para as Américas (NBAMCEUP ), um para a Ásia e Oceania (NBASCEUP )
e um para a Europa, África e Oriente Médio (NBEACEUP ). Juntos,
eles acompanham o desempenho de cerca de 600 empresas negociadas nas
bolsas mundo afora. Em breve, segundo a Bloomberg New Energy Finance,
serão lançados índices específicos para energia solar, energia
eólica, eficiência energética, energia inteligente e veículos
elétricos.
Se fossemos olhar para o desempenho recente destes
índices e os movimentos recentes no setor, talvez nos perguntaríamos
se realmente vale a pena, pois eles acumularam perdas enquanto os
setores de energias renováveis e eficiência energética estão
sofrendo com a crise econômica e a redução de subsídios e
investimentos públicos.
No entanto, o que se está olhando é o
crescimento de investimentos nestes setores e as tendências futuras
à medida que o mundo discute e assume compromissos de caminhar para
uma economia verde. E aí, o papel dos mercados de capitais é
fundamental.
Em 2010, segundo dados da Bloomberg, foram
investidos US$243 bilhões em energias renováveis em 2010 –
equivalente, em um ano, a quase metade do investimento de R$955
bilhões em quatro anos. Dados compilados da ONU tem demonstrado que
estes investimentos têm crescido ano a ano desde 2004 a taxas médias
acima de 30%. São investimentos de governos e empresas nestes
setores.
Quando o setor de mercado de capitais entra no
jogo, significa que há já uma maturidade no modelo. Ou seja, não
só que há metodologias para mensurar o desempenho de empresas, mas
também que há volume crítico dinheiro circulando para negociação
e, o mais importante, há investidores em número suficiente
interessados no assunto.
Esta conclusão pode parecer conflitante com os
resultados do controle de emissões, o debacle do Código Florestal,
o fracasso das metas do Protocolo de Quioto e a falta de acordo nas
cúpulas climáticas desde 2009 quando Lula e Obama ambos
compareceram à conferência de Copenhague e deram apenas um peso
simbólico, sem avanços aparentes.
Mas, no fundo, o mundo caminha para a economia
verde de uma maneira inexorável. O PNUMA lançou no dia 16 de
novembro, mais um relatório com análises e recomendações para
esta transição. Nele, se projeta a necessidade de investimentos de
cerca 2% do PIB mundial ou US$1,3 trilhões anuais, até 2050 para se
fazer esta transição, investimentos em todos os setores, que, ao
longo do caminho, vai criar novos empregos, iniciar o a
desacoplamento entre crescimento econômico e degradação ambiental
e distribuir melhor a renda e alimentos.
Separado em 14 seções (entre elas Agricultura,
Energia, Setor Produtivo, Transporte, Cidades, Resíduos Finanças,
Turismo e Edifícios) o relatório reforça o argumento que existe
uma profunda necessidade de combinar políticas públicas, ação
do setor privado e, sobretudo, investimento em inovação. Em todos
estes setores há grandes oportunidades de ganhos e, segundo as
conclusões do PNUMA, o investimento na economia verde pode
proporcionar um crescimento mais rápido da economia mundial do que o
cenário de nada fazer.
Mas o ponto chave é a pontuação da necessidade
de se mudar os critérios econômicos de medição econômicas para
se lavar em conta o capital natural e a degradação ambiental.
A economia verde não, portanto, continuar os
mesmos modelos fracassados de consumismo, de inovação
Schumpeteriana baseada em obsolescência programada e nem nos modelos
de ‘marketing verde’ onde se esverdeia a pílula com ações pouco
transparentes e que não mudam a estrutura básica do nosso sistema
produtivo que hoje consume necessita quase duas vezes os recursos
naturais existentes para se manter.
A inovação, no entanto, será chave para ter
novas tecnologias e sistemas menos perdulários dos recursos
naturais. Um dos caminhos é o fomento de tecnologias por meio de
investimentos em epresas nascentes tecnologia.
Hoje, segundo dados do Cleantech Group, os
investimentos de fundos de capital de risco em tecnologias limpas
somam entre US$1,5 bilhão a US$2 bilhões por trimestre. Apesar de
calcados em um lógica de mercado de capital, é um volume
considerável que vai diretamente para empresas nascentes com
tecnologias novas.
O Brasil, começa a receber parte deste dinheiro e
fundos nacionais começam a aparecer para fomentar este ciclo.
Estamos começando a trilhar o caminho entre o conhecimento e a
inovação e mais e mais pesquisadores olham para mercado como um
oportunidade de realização de suas pesquisas aplicadas.
Estamos no início deste ciclo, como também o
mundo está no início da transição para a economia verde. Enquanto
a desconfiança reina em Durban, o mundo avança pelo setor privado e
muitas políticas públicas desconexas na direção da economia
verde. No ano que vem, na Rio+20 o debate vai focar nesta transição
e teremos, espero, um visão mais clara do caminho a trilhar.
Referência (ABNT):
Spatuzza A. Apesar de Durban, a Bloomberg lança novos índices de renováveis e entra de vez na economia verde, 3 dez. 2011. Disponível em: <http://revistasustentabilidade.com.br/apesar-de-durban-a-bloomberg-lanca-novos-indices-de-renovaveis-e-entra-de-vez-na-economia-verde/>. Acesso em: 22 mai. 2013.



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