Abertura planejada é chave para aproveitar economia verde
No meio de junho deste ano o BNDES descredenciou de seu programa de financiamento de máquinas e equipamentos (Finame) cinco empresas estrangeiras do setor eólico por não ter atingido os níveis mínimos de nacionalização requeridos nos contratos. Apesar da decisão, as empresas envolvidas se apressaram a declarar que continuam comprometidas com o programa eólico brasileiro e com os cerca 1GW em projetos eólicos par os quais são fornecedores.
Este episódios revela os riscos, oportunidades e desafios que um país como o Brasil enfrentará na corrida pelo desenvolvimento mais limpo, principalmente na questão tecnológica e de conhecimento.
O setor eólico brasileiro começou a deslanchar me 2009 quando o mundo inteiro imerso em crise percebeu que aqui a economia continuava a crescer, oferecendo compensação para a queda nas vendas nos mercados tradicionais da Europa e Estados Unidos. Pontualmente, o governo brasileiro, por meio do BNDES soube aproveitar o momento e as mais sete fabricantes de turbinas eólicas solicitaram enquadramento no programa Finame aceitando o compromisso de nacionalizar 60% das sua produção em cinco anos.
Para isso ficaram planos de mais R$290 milhões para construir fábricas no Brasil e começar a buscar fornecedores locais para atender os requisitos do BNDES.
Segundo Antônio Lombardi, sócio da consultoria paulista em investimentos sustentáveis, Sustainable Hub, é uma abertura condicionado do mercado nestes moldes que o país precisa.
“Como falou FHC em recente palestra, o governo Dilma tem o dever abrir o Brasil para estes investimentos”, disse. “Mas não estou falando de uma abertura indiscriminada”.
Para ele, o Brasil ainda é muito fechado com o que ele intitula de Custo Brasil elevado, incluindo impostos, burocracia e falta de regulamentação e regras claras.
Na economia verde e sustentável, não são apenas novos produtos e processos que são necessários. É preciso também olhar para formação de mão de obra e a criação de empregos neste setor que, segundo a OIT, deve atingir 60 milhões no mundo em 20 anos, uma porta de saída da crise financeira.
“Esta ideia está bem acolhida, mas é preciso pensar em mudar o modelo”, lembra a Sylmara Dias, professora de gestão ambiental da USP.
O começo, segundo Sylmara, é mudar os padrões de consumo para poder focar numa mudança mais profunda nos meios de produção, além de produtos menos danosos para o meio ambiente. É necessário introduzir o conceito de economia sustentável que é mais inclusiva, circular e olha para direitos dos trabalhadores. Segundo sua avaliação, a Rio+20 mostrou a vontade inicial para esta mudança, mas a sociedade precisa ir além.
“Uma produção mais verde é bem vinda e vai trazer recursos para de inovação tecnológica,” explicou. “Mas é preciso pensar com que capacitação e de que jeito as pessoas estão se formando para a economia verde, quais as condições de trabalho.”
Segundo relatório da Organização Internacional do Trabalho, cerca de 6,6% da população economicamente ativa no Brasil está inserido na economia verde, incluindo trabalhadores da construção civil, nos canaviais e os catadores nas cidades – segundo estimativas da Fundação Avina, cerca de 800 mil pessoas. O relatório da OIT esclarece que cerca de 700 mil pessoas trabalham no setor – nas fazendas e na produção de etanol – dos quais 60% são trabalhadores sem ou com pouca qualificação. Enquanto isso o setor de eólico empega 14 mil pessoas no Brasil.
“Estes chamados empregos verdes inclui cerca de 1 milhão de catadores cujas condições são precárias”, alertou.
Segundo o mesmo estudo da OIT, a transição para a economia verde deve incrementar o crescimento do PIB em 0,5 pontos percentuais até 2030 e a geração empregos seria 1,13% acima do crescimento normal.
Para Lombardi é uma questão de aproveitar o momento e planejar melhor a economia verde dentro das necessidades do país em programas estratégicos de transferência de renda e formação de mão de obra e para isso, a crise é uma boa oportunidade.
“Neste momento trabalhadores altamente qualificados e empresas de todos os portes estão olhando para o Brasil, é preciso aproveitar”, concluiu.
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Referência (ABNT):
Spatuzza A. Abertura planejada é chave para aproveitar economia verde, 30 jul. 2012. Disponível em: <http://revistasustentabilidade.com.br/abertura-planejada-e-chave-para-aproveitar-economia-verde/>. Acesso em: 18 mai. 2013.



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