A necessidade de incentivos de base para criar uma cultura de inovação
Por Gabriel Estevam Domingos*
Nos dias de hoje, quando as necessidades são ilimitadas e os recursos limitados e escassos, não se pode negar que a inovação e a sustentabilidade tornaram-se uma questão de sobrevivência. No entanto, é alarmante saber que, na prática, para se registrar uma patente no Brasil demora-se em torno de cinco anos, ou então, que para comercializar um produto ecológico, a carga tributária ainda continua exorbitante e desleal.
Nesse contexto, o Brasil carece de medidas estruturais e não estruturais que vão desde iniciativas públicas para o fomento de ações que promovam do desenvolvimento sustentável e inovação até investimentos em massa para o melhoramento do arcaico sistema de gestão do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).
Como pesquisador e empresário, vejo uma medida que poderia proporcionar um resultado significativo é criar mecanismos para o incentivo da pesquisa, inovação e empreendedorismo nas escolas, na forma de ferramenta e métodos incentivadores para que os estudantes busquem, conheçam e cultivem a cultura da inovação e empreendedorismo.
E como podemos fazer isso? Ao meu ver, deve-se incorporar estes preceitos como disciplinas na grade curricular do aluno do ensino médio, como por exemplo, “educação inovativa e empreendedora”. É importante buscar a participação de todos os alunos, valendo-se do mesmo critério de notas das outras disciplinas, como Inglês e educação artística. Podendo assim, criar interdisciplinaridade com todas as outras matérias convencionais e buscar uma sinergia para acelerar o processo de um ‘aprendizado útil’.
Dessa forma, poderia ser promovida a cultura da inovação em estudantes desde o início de sua juventude e preparando-os para mercado e a vida. Afinal, é esse o papel das escolas e dos educadores.
Cultivar nos alunos o gosto pela descoberta e a busca de novos conhecimentos, utilizando a pesquisa em caráter eminente e exploratório em prol de um conhecimento prático, é de suma importância para criar um país mais sustentável e inovador.
Já na vida empresarial, o Brasil também precisa olhar para a carga tributária, dentre os diversos fatores que restringem a inovação no mercado. Investimentos em inovação são caracterizados como investimento de risco, mas na hora de buscar um empréstimo, as altíssimas taxas de juros apagam qualquer chama inovadora no empresário. Como isso não bastasse, as exigências para a linha de crédito muitas vezes acaba inviabilizando decisão de investir por parte de um pequeno e novo empreendedor.
Apesar dos avanços e do aumento de recursos para financiar investimentos em inovação por alguns órgãos públicos como BNDES, FINEP e Agência de do Fomento do Estado de São Paulo, há ainda muito que se fazer.
O Brasil possui bom histórico de casos de sucesso em ações para o estimulo da economia. Nos últimos meses, pudemos acompanhar algumas dessas medidas que estimularam o consumo interno, em prol da contingência dos efeitos da crise europeia. As medidas foram: as reduções do IPI para linha automotiva; corte no IOF, juros de empréstimos do BNDES para a compra de máquinas e equipamentos usados na produção; a queda da taxa básica de juros da economia (a Selic); a gradual redução dos juros de alguns bancos oficiais e, finalmente, a minimização de impostos para investimentos em infraestrutura (portos e trens) e incentivo para instalação de banda larga de internet.
Mas os produtos ecológicos e a economia verde em geral não fazem parte deste pacote. No entanto, acredito que não há outra forma concreta, a curto e médio prazo, de fortalecer o desenvolvimento sustentável: necessitamos de incentivos tributários neste setor, utilizando os mesmos preceitos dos exemplos de sucesso.
Por fim, diante do exposto, a melhor forma de mitigar os problemas discutidos, são os incentivos de base que devem ser criados para que assim, se possa difundir, fortalecer e criar subsídios para que a cultura da inovação e a economia verde – que estão sempre ligados – se perpetuem de forma sólida no Brasil.
* Gabriel Estevam Domingos, 24 anos, morador de Cubatão/SP, estudante do 4° ano de Eng. Ambiental da Universidade do Monte Serrat em Santos/SP. É também fundador e presidente da GED – Inovação, Engenharia e Tecnologia e possui 17 prêmios relacionados a concursos de inovação e sustentabilidade. gabriel@gedinovacao.com.br
Matérias relacionadas:
Referência (ABNT):
Spatuzza A. A necessidade de incentivos de base para criar uma cultura de inovação, 26 jul. 2012. Disponível em: <http://revistasustentabilidade.com.br/a-necessidade-de-incentivos-de-base-para-criar-uma-cultura-de-inovacao/>. Acesso em: 20 mai. 2013.



Ainda não há comentários.
Seja o primeiro a comentar!
Comentários no Facebook